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Sugestões de Cds para esse julho

Na pauta do clube de jazz para esse julho estão o tributo de Délia Fisher ao mestre Egberto Gismonti, a técnica e o gingado chorado de Oswaldinho do Acordeom, a grande homenagem aos quarenta anos de Mauro Senise, a inovadora orquestra de jazzmineiro comandada por Nivaldo Ornelas e duas sugestões do Mestre LOC: Trio Libero do saxofonista Andy Sheppard e o quarteto de Jphn Abercrombie, "Within a song".

29/06/2012 - Wilson Garzon

Delia Fischer - Saudações Egberto

Focada em novos arranjos, mas respeitando a obra do autor, Delia Fischer faz uma releitura letrada da obra de Egberto Gismonti no cd “Saudações Egberto”. O nome Delia Fischer talvez seja desconhecido para muitos, porém, seu nome consta em fichas técnicas de discos premiados e aclamados pela crítica. No final da década de 80, fez parte do Duo Fenix, ao lado de Cláudio Dauelsberg. A dupla percorreu as principais capitais do Brasil e da Europa, entre 1988 e 1990, participando de festivais de jazz. A ligação de Delia Fischer com Egberto Gismonti é antiga. Desde pequena, a musicista é devota dos álbuns do músico. A menina cresceu e escolheu viver de música. Tornou-se uma pianista reconhecida, passou a compor e a escrever arranjos até que um belo dia resolveu cantar. Em 1999, calhou de trabalhar com Egberto. Ele produziu e lançou o álbum “Antonio” pela sua gravadora Carmo/ECM, que repercutiu no mundo. O nome do álbum foi escolhido por ele é uma Homenagem ao filho dela. Ali nascia a amizade entre os músicos.

Delia Fischer sempre sonhou em revisitar a obra de Egberto Gismonti. Mas revisitar mesmo: vestir os temas com novos arranjos, encomendar letras para clássicos, carimbar com as suas digitais a produção do multiinstrumentista e compositor. Não por acaso, “O sonho”, de 1969, foi escolhido para abrir o disco. “Foi ano da chegada do homem à lua. Apesar de tudo, a música continua atual. Sacha Amback participou lindamente fazendo um interlúdio eletrônico”, lembra ela, sorridente.

Para escolher o repertório, Delia escutou novamente todos os discos do mestre, “que são ainda incrivelmente atuais e instigantes e me fizeram querer tocar, compor e entrar no universo musical, com a grande vantagem de poder agora realizar com maturidade e colocar um pouco da minha própria visão”. Ela dedicou especial atenção à primeira fase da produção musical do compositor, a mais “popular”, dos anos 1970 e 1980, quando ele usava fartamente o formato canção, com letra ou instrumental. “Egberto é um músico que possui todas as ferramentas para a criação de obras sinfônicas, canções e ainda tem o dom da improvisação, como os grandes mestres do século XIX. Isso tudo aliado a seu profundo conhecimento da música universal e mantendo o foco no Brasil”, diz.


Oswaldinho do Acordeon - Forró Chorado

Oswaldinho do Acordeon gerou polêmica ao gravar o álbum “Forró in Concert”, em 1980, onde trouxe música clássica para o forró como a Sinfonia nº 5 de Beethoven. A partir daí, Oswaldinho tomou a responsabilidade de mostrar ao mundo que o acordeon é um instrumento sem limites, que transpõe as barreiras regionais e de gêneros musicais. Sempre tomando como base o forró, que é sua raiz, Oswaldinho já viajou pelo rock (onde fez arranjos de clássicos de Luiz Gonzaga usando temas incidentais de Yngwie Malmsteen, Santana e Joe Satriani), pelo jazz (com temas de Michael Petrucciani e Chick Corea), pelo frevo e até pelo blues, com a linda adpatação de Asa Branca Blues.

Lançamento da Guaruba Produções , “Forró Chorado” é o 24º disco da carreira de Oswaldinho do Acordeon e veio para preencher mais esta lacuna: inserir o forró no universo do choro. Disco instrumental e cantado onde Oswaldinho reuniu clássicos e inéditos "chorinhos" em uma releitura inédita no ritmo de forró. Neste trabalho Oswaldinho resgata suas raízes assumindo uma formação mais “pé de serra”, se assim podemos dizer, com a típica percussão nordestina composta por zabumba, triângulo e pandeiro, a beleza das melodias embaladas pelo acordeon puro e acústico, pontuados pela guitarra semi-acústica e o contrabaixo de Thiago Espirito Santo que é quem assina a produção musical.

“Forró Chorado”, composição do próprio Oswaldinho, é a faixa-título que abre o disco e já traduz o clima do que vem pela frente. Seguido por “Gracioso” (Altamiro Carrilho), o clássico “Um Chorinho Diferente” (Gaúcho/ Ivone Rabelo), O Retorno de Oswaldinho (David Saidel). Todo glamour do disco fica por conta das faixas “Músicos e Poetas” (Sivuca) e “Viajando” (K-Chimbinho), que contam com a participação especial de Ricardo Valverde no vibrafone. “Oswaldinho no Choro” é uma homenagem do maestro da Banda Sinfônica de Jucás - CE, Washington Luis, que conta com a participação especial do próprio Washington no sax soprano curvo. Para completar, os clássicos forrós “Meu Cariri” (Rosil Cavalcanti), “Forró em Caruaru” (Zé Dantas) e, a faixa emocionante que encerra o disco,“Treze de Dezembro” (Luiz Gonzaga/ Gilberto Gil) contam com a participação mais do que especial da cantora Bia Goes.


Mauro Senise – Afetivo
(Eduardo Tristão Girão, Estado de Minas, 29/06/2012)


Um dos indicativos do talento do saxofonista e flautista carioca Mauro Senise é a quantidade de bons músicos que conseguiu reunir para a gravação de Afetivo (Biscoito Fino), CD e DVD que acaba de lançar para comemorar seus 40 anos de carreira. Da professora Odette Ernest Dias ao grupo Cama de Gato, passando por Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Edu Lobo e Wagner Tiso, entre outros. Veterano da cena instrumental brasileira, tem vasto currículo e conseguiu consolidar personalidade como instrumentista.

O disco é dedicado a Paulo Moura (1932-2010), que também foi um dos professores de Mauro. “Ele completou minha formação com essa coisa de improviso e gafieira”, diz o músico. A propósito, das 11 faixas (12 no DVD), apenas uma é assinada por Mauro, “Feita a mão”. Essa composição foi a única gravada fora do Rio de Janeiro. Para o registro, Mauro viajou até Curitiba, para encontrar Hermeto Pascoal. Sem ter ideia pronta na cabeça, o saxofonista soprou notas intuitivamente e o convidado não se intimidou com a natureza livre da criação, harmonizando tudo ao pino na sequência. Os dois tocaram juntos durante sete anos e gravaram essa composição de primeira.

As demais faixas foram gravadas em março do ano passado, durante duas semanas. Uma verdadeira proeza, dada a quantidade de músicos envolvidos – cerca de 40. Entre os mais frequentes nas fichas técnicas está o pianista Gilson Peranzzetta, presente em nada menos que cinco faixas. A abertura do disco, aliás, é feita com peça dele e de Chiquinho do Acordeom, “Choro sim, porque não”. Os dois tocam juntos há 20 anos e têm sete discos gravados. Apesar da grande variedade de formações (de duo de flauta a orquestra), Mauro acredita ter conseguido unidade musical no novo disco: “Esse trabalho ficou com assinatura. Cada convidado tem personalidade forte como instrumentista ou compositor, mas fizemos tudo de forma bem intuitiva. Não senti que tenha ficado como colcha de retalho”.

O repertório é completado com participações de outros grupos e artistas com os quais Mauro mais trabalhou ao longo das últimas quatro décadas, como o Quinteto Pixinguinha (em Pra que mentir), a cravista Rosana Lanzelotte (Atrevidinha), a harpista Silvia Braga (Ondine), a pianista Sueli Costa (Afetivo), o cantor e compositor Edu Lobo (Choro bandido), Cama de Gato (Tiê sangue), Egberto Gismonti (Bodas de prata), o pianista Wagner Tiso (com Robertinho Silva e Luiz Alves em Olinda Guanabara) e a dupla formada pelo baterista Ivan “Mamão” Conti e o baixista Paulo Russo (Mauro e Ana).


Nivaldo Ornelas - Jazz Mineiro Orquestra

Aos quarenta anos de carreira e com uma experiência musical singular, o saxofonista Nivaldo Ornelas retornará a capital e a histórica cidade de Ouro Preto para lançar seu novo álbum. Com o patrocínio da Natura por meio do Natura Musical, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o público mineiro poderá conferir este ícone da cena instrumental em apresentações que celebrarão a tradição da música feita em Minas. A exemplo de outras formações no país, a orquestra, idealizada pelos compositores e arranjadores Nivaldo Ornelas e Cléber Alves, será a primeira big band mineira dedicada ao repertório e a cultura popular do Estado. O resultado deste projeto poderá ser visto e ouvido no show de lançamento do álbum que apresenta esta nova formação da música instrumental mineira. Este novo trabalho começou a ser gravado no ano passado, em 2011, e contou com convidados especiais. Preocupado em expressar no CD a identidade da música mineira, reconhecida no país e no exterior por sua qualidade e originalidade, o músico reuniu novos e velhos amigos de Minas para deixar não só o projeto, como o álbum, com um gostinho ainda mais “mineirinho”.

O projeto Jazz Mineiro Orquestra é uma realização da Bangalô Produções e, no disco, inclui músicos de todas as gerações. Entre eles estão André “Limão” Queiroz, Esdra “Neném” Ferreira, Paulo Braga, Beto Lopes, Kiko Mitre, Serginho Silva, Juarez Moreira, Magno Alexandre, Celso Moreira, André Dequech, Christiano Caldas, Célio Balona, Mauro Rodrigues, Cléber Alves e Cid Ornelas, irmão de Nivaldo. O encontro sela a amizade de Nivaldo com os instrumentistas mineiros que, assim como ele, comprometem-se com a valorização do cenário musical de Minas Gerais.

Nivaldo Ornelas (maestro e sox-soprano), Juarez Moreira – violão; Magno Alexandre – guitarra; André Dequech – piano; Kiko Mitre – baixo; Esdra “Neném” Ferreira – bateria; Serginho Silva – percussão; Cléber Alves, Vinicuis Augustus e Bernardo Fabris – saxofones; Wagner Souza, Gilberto Junior e Juventido Dias – trompetes; Leonardo Brasilino, Marcos Flávio e Alaécio Martins – trombones; Mauro Rodrigues e Joana Radcchi – flautas.


Andy Sheppard - Trio Libero
(Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 06/06/2012)


Aos 55 anos, o saxofonista tenor e soprano britânico Andy Sheppard é um daqueles “músicos para músicos” apreciados mais como sideman do que como líder. No início deste ano, a refinada etiqueta de Manfred Eicher lançou o disco mais representativo da arte do saxofonista, gravado em julho do ano passado, num estúdio de Lugano (Suíça), e intitulado muito apropriadamente Trio Libero. O renomeado baixista franco-argelino Michel Benita, 58 anos, e o baterista escocês Sebastian Seb Rochford, 38, completam o trio ao longo de 13 faixas, a maioria de duração variando entre três e pouco mais de quatro minutos. Há apenas um standard usado como tema para variação: “I’m always chasing rainbows” (4m15).

O conceito de liberdade do trio não tem nada a ver com aquele tipo de free jazz instantâneo, que deixa o ouvinte em suspense. O líder e seus parceiros improvisam sem limitações em matéria de choruses ou de tempo, mas mantêm compromisso com a recriação melódico-rítmica de uma temática não aleatória, em clima sereno. A faixa de abertura, “Libertino” (3m40), dá o tom dominante do álbum, com o sax tenor de Sheppard burilando o pungente e envolvente tema. “Slip duty” (3m35), logo em seguida, parte de um vamp, aquecido pelos estalos da bateria obstinada (jamais exagerada) de Seb Rochford, que tem espaço para um breve solo. Em “I’m always chasing rainbows” (4m15) o trio realça o seu lado romântico, com o sax soprano do líder citando Chopin.

Sheppard volta ao soprano em outras duas faixas: “Land of Nod” (3m45), uma animada marchinha, e a modal “Ishidatami” (3m48). Mas, nas demais, exibe impecável comando do sax tenor (sem qualquer “dó de peito”) e inspiração melódica comparável à de Joe Lovano, sobretudo em “Skin/Kaa” (6m05), nas duas partes de “Space walk” (3m10, 3m50) e em “The uncondicioned secret” (4m).


John Abercrombie - Within a Song
(Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 16/06/2012)


O primoroso e versátil guitarrista John Abercrombie, 67 anos, tem no seu currículo mais de 20 álbuns gravados para a ECM, como líder, desde 1974. Os mais conhecidos são os do trio Gateway (Dave Holland, baixo; Jack DeJohnette, bateria) e do Organ trio (Dan Wall, órgão; Adam Nussbaum, bateria). Este último conjunto foi a base do cd “Open Land”, de 1998, de concepção bem complexa, mais out do que in, com a participação de outros três grandes músicos: Joe Lovano (sax tenor), Mark Feldman (violino) e Kenny Wheeler (trompete). Em 2009, o guitarrista-compositor lançou Wait till you see her, mais camerístico, ao lado de Feldman, Joey Baron (bateria) e Thomas Morgan (baixo).

Joe Lovano e Joey Baron reencontram-se com Abercrombie — mais o baixista Drew Gress — no recém-lançado “Within a song”, gravado em setembro do ano passado, no Avatar Studios, Nova York. E a gênese dessa sessão é assim explicada pelo próprio líder: “Manfred Eicher (o dono e a alma da ECM) e eu já tínhamos falado em fazer um álbum que prestasse homenagem a um determinado artista ou compositor de jazz. Mas, finalmente, preferi revisitar a era em que meus gostos musicais se formaram. Os discos que eu estava ouvindo naquele tempo eram, em sua maioria, de jazz post-bebop, geralmente de músicos que estavam, de maneiras diversas, estendendo as formas (habituais)”.

Essa reapreciação de um passado não tão longínquo da evolução do jazz é feita por Abercrombie e seus companheiros no novo disco, a partir de “Where are you” (5m45) e “Without a song” (7m55) – dois standards tratados por Sonny Rollins e o guitarrista Jim Hall no antológico LP The Bridge (RCA,1962); “Flamenco sketches” (6m30), de Miles Davis (Kind of blue, Columbia, 1959); “Interplay” (6m20), do quinteto do pianista Bill Evans (Riverside, 1962), com Freddie Hubbard, Jim Hall, Percy Heath e Philly Joe Jones; “Blues connotation” (6m10), de Ornette Coleman (This is our music, 1960); “Wise one” (9m10), de John Coltrane (Crescent, Impulse, 1964). Abercrombie assina — além da faixa-título, metamorfose de “Without a song — Easy reader” (6m30) e “Nick of time” (5m50).

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