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Chico Amaral ao sabor de minas, música e prosa

O saxofonista e compositor Chico Amaral é o grande homenageado da décima edição do Savassi Festival Jazz & Lounge, recebendo o prêmio Jazz de Minas 2012 no dia 25 de julho. Chico nos recebeu, a mim e a Vitor, para essa entrevista, com o intuito de divulgar seu último cd, "Província", e o resultado ficou muito além do esperado, melhor que qualquer soneto.

Chico Amaral com Wilson Garzon e ao lado de seu inseparável sax-tenor Selmer. (foto: Vitor Maciel)

03/07/2012 - Texto de Wilson Garzon e Fotos de Vitor Maciel.

Abertura dos trabalhos

Para fazer a entrevista com Chico, estando armado de apenas papel e caneta, resolvi convocar o fotógrafo Vitor Maciel para fazermos um trabalho bem feito. Chegamos de tardinha no apto de Chico, que logo foi convocado para tirar fotos acompanhado pelo sax-tenor (mas como a luz não estava muita amiga, uma nova sessão de fotos foi concluída na tarde de quarta). Tão logo sentamos na casa, antes de tudo, rolou um cafezinho com biscoitos para esquentar a palavra, porque já era hora de começar o doce trabalho que é falar daquilo que todos nós gostamos.

Primeiro tempo

Como Chico Amaral tinha lançado "Singular", seu primeiro cd em 2007, queria saber o que aconteceu de importante na sua trajetória musical até 2011, quando "Província" começou a ser gravado. A primeira lembrança foi a de ter participado em setembro de 2008 da big band de Maria Schneider, que encerrou o festival de “Tudo é Jazz” em Ouro Preto. O resultado pra ele foi tão bom, que até hoje se lembra da frase de La Schneider: "não sabia que no Brasil havia músicos que tocavam jazz tão bem". Um outro fator importante foi o de olhar para a música mineira e buscar nela a fonte de inspiração, seja ela cantada ou instrumental, regional ou universal.

A dúvida de estar ou não pronto para começar um novo trabalho, acabou levando um empurrão do amigo Samuel Rosa: "não precisa estar maduro, você tem que fazer as coisas meio 'verde' mesmo; grava o processo, vai aprendendo, pois nunca estamos prontos para fazer tudo". A partir daí, Chico entrou com o projeto na Lei Estadual em 2010, que foi aprovado em 2011 e em 15 de agosto entrou no estúdio para terminar em 12 de março de 2012. Para chegar no conceito de "Província" , o caminho passou por muito estudo de jazz, pela leitura da música mineira desde as suas raízes nos anos 60 e 70 com Milton Nascimento e Nivaldo Ornelas, a busca por uma estética instrumental e, por fim, a abertura para a improvisação dentro do âmbito da música mineira. Então, para botar o projeto em pé, Chico selecionou nove músicos , seja como influências (Milton, Toninho e Nivaldo), seja pela fraternidade e companherismo no cenário instrumental (Juarez, Túlio, Beto, Eneias, Nelson e Tavinho).

Entreato

Antes de conversarmos sobre as músicas, uma a uma, chegou Marrege, dublê de mulher e produtora do disco, levantando a poeira e ampliando o clima ‘provinciano’, ao esquentar a conversa com caldo de feijão & torresmo regado a uma boa cachaça de salinas. Depois colocou o cd no player e a conversa retomou o seu caminho.


Segundo tempo

Canoa, canoa

Composição de Nelson Ângelo e Fernando Brant, teve a participação de Nelson tocando guitarra. Na música que fez parte do Clube da esquina 2, Chico fez uma homenagem "à floresta, pássaros, fauna e as entidades da mata". A entrada teve uma levada meio free, o que deu um toque de classe nessa canção que foi escolhida para abrir o cd, com forte lobby de sua mulher e produtora. Chico aqui esteve com seu soprano ao lado de Ricardo Cheib-teclados, Beto Lopes-violão, Enéias Xavier-baixo, André ‘Limão’ Queiroz-bateria e Ricardo Cheib-percussão.

Estação 104
Durante dois anos, Chico se apresentou com seu quarteto (Enéias Xavier-baixo, Magno Alexandre-guitarra e Limão-bateria) nesse espaço cultural, sempre às sextas. Como todos gostavam de tocar um groove, ele e Enéias resolveram compor esse tema, que tem a melhor levada entre todos os temas. Se me fosse dado a escolha, é com esse tema que abriria os trabalhos do cd. A turma aqui formou uma banda de responsa: Chico nos sax tenor, alto e soprano, Ricardo Fiuza e Christiano Caldas-teclados, Magno e Marcelinho Guerra-guitarras, Enéias-baixo, Neném-bateria, Marcus Vinícius e Ricardo Cheib-percussão.

12 de outubro
Composição de Nivaldo Ornelas, que foi gravada no disco "Colheita do Trigo". Essa é uma escolha pessoal de Chico, já que era uma música "que sempre cantarola em casa ou tomando banho. O que destaco é que ela me lembra um standard em sua harmonia". Nivaldo fez um maravilhoso solo de soprano e esteve ao lado de Chico no tenor e piano, Magno-guitarra e Enéias-baixo.

From the Lonely Afternoons
Essa composição de Milton Nascimento e Márcio Borges é uma velha conhecida sua, desde que a tocou pela primeira vez num evento na casa do Conde, onde Toninho Horta homenageava o Clube da Esquina. Na gravação, a participação foi da banda atual de Milton (Kiko Continentino-piano, Wilson Lopes-guitarra, Gastão Villeroy-baixo e Lincoln Cheib-bateria).

Moça de Fino Trato
Composição de Túlio Mourão, que fez parte da trilha do filme homônimo de Paulo Thiago. A escolha foi daquelas que Chico ao ouvi-la, disse para Túlio: "Vou gravar a sua música!" O arranjo foi meio jam, com indicações para a abertura e o fechamento. Marrege interviu no papo dizendo com propriedade que essa música tinha um clima de Ennio Moricone. Ao piano de Túlio e o tenor de Chico também estiveram presentes o pessoal do quarteto: Magno-guitarra, Enéias-baixo e Limão-bateria.

Bolero de Ana
A presença aqui é de Tavinho Moura como autor, vocal e na viola de dez cordas. Quando Tavinho estava na Bemol fazendo a trilha de "O Mineiro e o Queijo" de Helvécio Ratton, começou a dedilhar o que viria a ser o Bolero de Ana, e Chico, que estava presente no estúdio "captou a mensagem" e fez a convocação a Tavinho para gravá-la no disco. Música essa que teve a participação especial de Samuel Rosa na guitarra, o que acabou dando a ela, uma "linha de faroeste" bem descontraída. Completando o time, o novo novaiorquino Ricardo Fiuza nos teclados, Beto Lopes-violão, Enéias-baixo e Limão-bateria.

Samblues
Uma das melhores composições dentro do poderoso arsenal de Juarez Moreira, foi escolha pessoal de Chico e uma das poucas que entrou no processo de re-gravação. Em que pese Juarez tenha gostado da primeira, Chico firmou o pé, mudou a linha de interpretação e o resultado ficou muito bom. Além do tenor do Chico e da guitarra de Juarez, Samblues teve as excelentes participações de Marcos Flávio-trombone, Enéias Xavier-baixo e Limão-bateria. É bom frisar que Chico também fez os arranjos de sopro, com a sua habitual competência.

Pedra da Lua
A escolha que dessa música feita por Toninho Horta e Cacaso foi em função dela fazer parte do repertório do quarteto de Chico há muito tempo, sendo uma canção que ele trabalhou com liberdade e maestria. Além de contar com a presença de Toninho na guitarra, Chico com seu tenor teve a companhia de Paulo Márcio no trompete e a cozinha bem temperada por Beto Lopes-baixo e Limão-bateria.

Nem Nada
A música de Beto Lopes e Murilo Antunes escolhida para fechar o disco, tem uma levada muito boa e cativante e contou com as presenças de Chico no tenor, Vinícius Augustus no alto, Paulo Márcio no trompete, Marcos Flávio no trombone, Eneias-baixo, Limão-bateria e Lincoln Cheib na percussão.

Epílogo

Encontro como esse é muito raro, quanto mais regado `a amizade combinada com descontração, que faz com que essa alquimia alcance um alto nível de satisfação e de dever cumprido. E que você leitor, esteja lendo as últimas palavras dessa entrevista escrita num tom de prosa.

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