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As novidades desse agosto

Para esse mês, as escolhas foram quase todas internacionais, já que a temporada de lançamentos nos Estados Unidos nos apresenta cds de Pat Metheny, Jack deJohnette, Ravi Coltrane e Ithamara Koorax; do Brasil, temos a última incursão instrumental da Itiberê Orquestra Família e da Argentina, a obra fundamental do contrabaixista Juan Pablo Navarro.

09/08/2012 - Wilson Garzon

Pat Metheny Quartet - Unity Band
Eduardo Tristão Girão, Estado de Minas, 14/07/2012


Bem focado na sonoridade de quarteto, o premiado guitarrista Pat Metheny acaba de lançar mais um álbum, Unity band (Nonesuch), que provavelmente agradará aos adeptos de sonoridade jazzística mais tradicional. A novidade, de certa forma, é a presença de um saxofonista num disco de Metheny (Chris Potter, no caso), o que não ocorria desde o álbum 80/81 (1980), gravado com os saxofonistas Michael Brecker e Dewey Redman, o baixista Charlie Haden e o baterista Jack DeJohnette. O quarteto atual é formado, além do guitarrista e de Potter, por Ben Williams (baixo acústico) e Antonio Sánchez (bateria).

O repertório é aberto com a elegante “New year”, que lembra não só sua admiração pela música brasileira, mas seu envolvimento com músicos mineiros como o guitarrista Toninho Horta. Soa como o estilo conhecido pelos músicos nacionais como “jazzmineiro” e poderia ser incluída sem susto nos discos dos principais instrumentistas do estado. Mas para por aí, como atestam as faixas seguintes, a ótima “Roofdogs” (com a indefectível guitarra sintetizada) e “Come and see” (a linha de baixo é simples e eficiente).

Único ponto fora da curva (não por acaso, um dos auges do disco) é “Signals”, faixa que o guitarrista gravou valendo-se do orchestrion, sistema integrado de instrumentos que, por meio de processamento de dados, toca “sozinho” em resposta às notas que ele faz soar na guitarra. Essa enorme e fantástica máquina foi usada por ele no disco que lançou em 2010, batizado justamente com o nome dela. Sobre o ritmo incomum, Metheny realiza um de seus clássicos solos etéreos, embebido em efeitos de guitarra.

Ithamara Koorax - Got To Be Real

"Gravamos todas as bases em duas noites, como se estivéssemos fazendo um show, teve até platéia no estúdio", conta Ithamara. "Depois fizemos mais duas sessões: uma para o Bertrami adicionar sintetizadores em algumas músicas, duas para overdubs de percussão feitos pelo Arnaldo, Sidinho Moreira e Paulo Fernando Marcondes Ferraz, e mais uma para a seção de metais. Em seis sessões de seis horas, ou seja, em 24 horas, o CD estava gravado. Isso foi possível porque eu já vinha cantando essas músicas em shows há vários anos, mais precisamente desde 2005. Algumas até há mais tempo, como "Hoba-lá-lá", que fez parte do meu primeiro show em 1990, no hoje extinto Rio Jazz Club. Então tudo fluiu organicamente, e gerou um clima de espontaneidade que os ouvintes mais sensíveis percebem de cara".

O repertório inclui recriações jazzísticas para hits como "Got To Be Real", "Never Can Say Goodbye" e "Can't Take My Eyes Off Of You" - sucessos da "disco-music" transformados em baladas jazzísticas, "Up Up And Away" e "Going Out of My Head". Ithamara também inclui standards do jazz de compositores como Cole Porter ("I Get A Kick Out of You"), Richard Rodgers ("My Favorite Things", alternando o 4/4 do jazz com o 2/4 do samba, e com a letra alterada para homenagear Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Carmen McRae, Cleo Laine e Flora Purim, algumas das intérpretes favoritas de Ithamara) e Herbie Hancock ("Butterfly", que ela já havia gravado, em arranjo completamente diferente, no disco "Brazilian Butterfly").

Outra regravação é "Hoba-lá-lá", de João Gilberto, previamente gravada pela cantora em seu CD de 2009, "Bim Bom". Temas de Nonato Buzar ("Vesti Azul"), Marcos Valle ("Pigmalião") e de J.R. Bertrami ("Toque de Cuica") completam o roteiro. No início de junho, o CD alcançou a lista dos mais vendidos e executados na Europa - por onde a cantora excursionou com grande sucesso entre 22 de abril e 18 de maio -, emplacando várias músicas em rádios de música POP, ao lado de artistas como Adele, Enrique Iglesias e Jack White. Shows nos EUA e na Ásia estão agendados para julho e agosto.

Jack DeJohnette – Sound Travels
Eduardo Tristão Girão, Estado de Minas, 21/07/2012


O gosto por incorporar elementos musicais de outros países, uma das características da obra de Johnette fica evidente em “Sound Travels”. O predomínio no caso desse novo álbum, é da influência caribenha, a exemplo da ótima “Salsa for Luisito”, provável homenagem ao percussionista venezuelano Luisito Quinteto, integrante da banda com a qual o baterista gravou seu disco. Dessa faixa também participa a cantora e contrabaixista norte-americana Esperanza Spalding, que abrilhante o registro com vocalises.

Ainda no clima latino, DeJohnette emplaca “Sonny Light” e a faixa-título, ambas com a participação do guitarrista Lionel Loueke. Fechando o trio de convidados, Bobby McFerrin faz sua tradicional simulação vocal de instrumentos em “Oneness”. Um dos pontos altos é “Indigo Dreamscapes”, a penúltima faixa. A condução de Jack à bateria é magistral, valendo-se da técnica conhecida como cross stick, bastante popular no raggae: em vez de tocar a pele da caixa com a ponta da baqueta para marcar o rítmo, o baterista apoia uma exgtremidade da baqueta na borda da caixa e bate nela com a ponta contrária, criando um som mais seco.

Quase todos os pianos foram tocados pelo baterista, mas Jack já tinha estudado piano dos 4 a 14 anos. As faixas que abre (“Enter here”) e fecha (“Home”) são exclusivamente piano solo. Por fim, vale registrar sua destreza em temas de sotaque mais popular, como a alegre “Dirty Ground”, única faixa cantada, com vocal a cardo de Bruce Hornsby.

Ravi Coltrane - Spirit Fiction
Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 04/08/2012


O primeiro registro relevante de Ravi Coltrane foi o álbum From the round box (RCA), de 1999, à frente de um quinteto com Ralph Alessi (trompete), Geri Allen (piano), James Genus (baixo) e Eric Harland (bateria). Em 2006/07, ele gravou o também excelente Blending times (Savoy), na liderança do seu quarteto habitual, integrado pelo venezuelano-nova-iorquino Luis Perdomo (piano), Drew Gress (baixo) e E. J. Strickland (bateria). Agora, no recém-lançado Spirit fiction (Blue Note), gravado em sessões diferentes, em 2010 e no ano passado, Ravi desenvolve suas peças — que mais parecem “composições instantâneas” — e também temas de Ralph Alessi, um de Ornette Coleman (Check out time) e outro de Paul Motian (Fantasm) na moldura das mesmas formações acima citadas.

O quarteto interpreta Roads cross (5m) e Cross roads (4m) — com o líder no sax soprano — mais a faixa-título (2m25), a balada The change, my girl (6m45) e Marilyn & Tammy (5m40) — esta também com o soprano em evidência. As três primeiras foram compostas por Ravi, em conjunto com os parceiros; as duas últimas levam somente a sua assinatura. O saxofonista é também o autor de Spring & Hudson (2m20), um diálogo tenso e especulativo com o baterista Strickland.

O quinteto, por sua vez, improvisa a partir de três peças do primoroso trompetista Ralph Alessi, discípulo estilístico de Kenny Wheeler: as fulgurantes e contrapontísticas Klepto (7m30) e Who wants ice cream (6m30); a meditativa Yellow cat (6m50). O quinteto vira sexteto — com o convidado de honra Joe Lovano (sax tenor) — para a recriar o ponto culminante do CD: Check ou time (7m25), que Ornette Coleman gravou com Dewey Redman, em 1968 (LP Love call, Blue Note).

Juan Pablo Navarro – ContraTangos

O baixista e compositor argentino Juan Pablo Navarro é considerado por colegas e críticos como um dos artistas mais importantes de seu instrumento na música popular da Argentina. Atualmente, ele está apresentando seu primeiro CD solo, "Contratangos", com composições originais para contrabaixo solo, piano e guitarra. Sua música reflete as influências do tango, mas também apresenta pinceladas de jazz e da música contemporânea. Neste seu primeiro trabalho solo participam importantes músicos prestigiados e compositores como Nestor Marconi (bandoneon e composição), os pianistas Juan Carlos Cirigliano, Nicolas Guerschberg, Abel Rogantini, Diego Schissi, Cristian Zarate, Juan Esteban Cuacci e o guitarrista Esteban Falabella.

Segundo a revista Revista Bass Musician Magazine, em maio de 2011: “Juan Pablo nos forneceu em seu primeiro CD, uma homenagem magistral para o gênero Tango. O formato básico são duos de baixo com uma variedade de outros instrumentos. Podemos ouvir o diálogo do piano, guitarra ou acordeão com a profundidade do trabalho do baixo impecável de Pablo. A interação entre os instrumentos é matematicamente precisa, com cada nota no tempo e lugar apropriados. Juan Pablo recrutou músicos incríveis para colaborar com esse projeto.

Cada música pinta um retrato completo com apenas dois instrumentos! "Você pode ver lugares escuros, sujos, fumaça proibida, tais como bares, bordéis e casas de jogos, onde a sensação é uma expressão de ódio, paixão, desejo e desespero. Algumas das melodias são assombradas e perturbadoras, mas interpretada de uma forma tão bela e criativa. Sem necessidade de vozes nos temas, é a música em si misma que conta cada história e a grande maioria dessas canções são obras originais de Juan Pablo".

Itiberê Orquestra Família - Identidade
Eduardo Tristão Girão, Estado de Minas, 28/07/2012


Apesar da redução de integrantes e da mudança de nome – de “orquestra família” para “grupo” –, o projeto do baixista paulistano Itiberê Zwarg continua igual em sua essência, como fica atestado nas 18 faixas do recém-lançado disco Identidade. Música instrumental inclassificável: pulsante, dinâmica e cheia de frescor, composta por ele e interpretada com outros sete músicos, incluindo seus filhos Ajurinã (bateria, percussão e saxofone) e Mariana (saxofone e flauta).
“Esse trabalho é uma realização muito importante, pois é uma síntese de tudo o que fiz, desde garoto. No meio do processo é que ele se tornou o que é, quando me dei conta de que estava fazendo uma biografia de mim mesmo”, conta Itiberê. Atualmente radicado no Rio de Janeiro, tem 62 anos e 49 de carreira. “Estou muito feliz e me sinto sempre recomeçando. A música é meu único projeto de vulto”, afirma.
De fato, algumas músicas foram escritas no ato da gravação pelo baixista. Mas nem todas, conta: “Outras eu trouxe de casa. Gosto de variar, mas essa maneira de compor no tempo presente faço com muito gosto. É como se fosse um improviso em câmera lenta, seguindo a intuição”, explica. Provavelmente por esse motivo, certas faixas começam de um jeito e são transformadas pelos músicos até terminarem de outro – ou voltarem à forma inicial. Sempre com coerência, musicalidade e criatividade.

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