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Improta, Mitchell, Braxton e Monder

Para fechar o ano, a esperada 'volta' do pianista Tomás Improta é fundamental. O selo Sesc lança duas joias do free jazz dentro do projeto 'Jazz na Fábrica': Roscoe Mitchell e Anthony Braxton. E para completar, o mestre LOC desenterra do esquecimento um gênio da guitarra contemporânea: Ben Monder.

14/12/2015 - Wilson Garzon

Tomás Improta - A Volta de Alice

O pianista e compositor Tomás Improta é um dos mais produtivos e conceituados músicos de sua geração. Atuando no cenário musical nacional e internacional desde os anos 70, Tomás comemora este ano 45 anos de carreira lançando seu oitavo CD, ‘A volta de Alice’. O cd sai pelo selo Kalimba e traz, entre as onze faixas que compõem seu repertório, músicas autorais, em parceria, releituras de temas consagrados, com Tomás se revezando ao piano acústico e elétrico, sintetizadores e escaleta, através de vários ritmos.

Tomás cercou-se de músicos do mais alto nível como o trombonista Raul de Souza e do saxofonista Marcelo Martins, que assina os arranjos ao lado de Tomás e do guitarrista Carlos Pontual, também produtor musical do CD. Participam ainda músicos de renome como Jessé Sadoc e José Arimatéia (trumpetes), Aldivas Aires (trombone), Alberto Continentino (baixo acústico), Domenico Lancelotti (bateria), João Viana (bateria), Marco Lobo (percussão), entre outros.

Abre o disco uma releitura orquestrada de "Império do Samba" de Zé da Zilda, e segue no ritmo da bossa nova com "Vagamente" de Roberto Menescal e "Esperança perdida" de Tom Jobim e Billy Branco. O CD toma o caminho da música eletrônica com as autorais "É azul", "Como o céu é do avião", uma colagem sonora, e "A volta de Alice", esta em parceria com Carlos Pontual e que dá nome ao CD. Compostas por Tomás, as músicas "Terán" e "12 Anéis de Thelonious" homenageiam os dois grandes pianistas Tomás Terán e Thelonious Monk. Fecham o repertório, "Adriana/Urbana" de Roberto Menescal e Lula Freire, e "A Coisa" de Roberto R.T. Leite. A bonus track’ traz Tomás ao piano interpretando "Avarandado" de Caetano Veloso.

Ao Vivo Jazz na Fábrica - Sustain and Run - Roscoe Mitchel (Selo SESC)

Roscoe Mitchell tem um papel importante na "ressurreição" dos instrumentos de sopro de registro extremo, assim como um lugar de liderança na música contemporânea, não só como improvisador e compositor, mas também como artista solo inovador por mais de quatro décadas. O músico gravou mais de 85 álbuns e registrou mais de 250 composições originais.

Suas criações vão da música clássica à contemporânea, do mais abrasivo free jazz à mais ornada música de câmara. Foi um dos fundadores do Art Ensemble of Chicago, da Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM), do Creative Arts Collective (East LansingjMichigan), do Trio Space... e por aí vai.

Ao Vivo Jazz na Fábrica - Anthony Braxton (Selo SESC)

Anthony Braxton contempla um público interessado em música contemporânea, jazz e improvisação. O instrumentista gosta de ter seu trabalho caracterizado como "creative music". Utilizando das raízes afro-americanas à música de vanguarda europeia, é uma das figuras que consegue construir com maestria a ponte entre vertentes do jazz, sobretudo o free jazz, e a música de concerto.

Nos anos 1960, Braxton colaborou e gravou com o AMM, grupo europeu pioneiro na busca por música desvinculada de gêneros estabelecidos, que incluía Cornelius Cardew, Keith Rowe, Lou Gare e Eddie Prévost. Também teve parcerias com Christian Wolf eSteve Lacy. Nos Estados Unidos, no mesmo período. ainda integrou a Association for the Advancement of Creatives Musicians (MCM), coletivo que contava com Jack Dejohnette, Muhal Richard Abrams, Roscoe Mitchell e Lester Bowie. Além dos precursores do free jazz, foi influenciado por compositores eruditos como Karlheinz Stockhausen e John Cage.

Multi-instrumentista, com destaque para o saxofone, Braxton estudou simultaneamente Composição e Filosofia na Roosevelt University (Chicago, EUA). Ao explorar novas possibilidades sonoras, é cuidadoso ao tratar deparâmetros como densidade, timbre, presença ou ausência de pulso, além da interação entre os músicos.

Ben Monder - Amorpha (Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil, 12/12/2015)

Ben Monder, 53 anos, é um dos mais respeitados e sofisticados guitarristas da “Primeira Liga” do jazz novaiorquino.Ele consolidou sua reputação como integrante da Maria Schneider Orchestra e como membro da Paul Motian Band, destacou-se no primoroso CD Garden of Eden (ECM), gravado em 2004 e lançado em 2006.

As notas referentes ao álbum dão conta de que, originalmente concebido como uma série de duetos com Paul Motian, uma primeira sessão exploratória foi gravada em 2010. Com a morte do baterista, aos 80 anos, em novembro do ano seguinte, o projeto foi completado em 2013, em sessões adicionais, com o concurso de dois outros músicos: o baterista Andrew Cyrille, ícone do free jazz, e Pete Rende (sintetizador). O caráter sutilmente abstrato das pontuações e especulações de Paul Motian sublinha as invenções sonoras etéreas, esparsas e “amorfas” de Ben Monder em Oh, what a beautiful morning (5m20) e Triffids (2m55).

Tumid cenobite (4m50) e Hematophagy (6m55) são as faixas em duo com Andrew Cyrille, que colore, preferencialmente com as escovinhas, o clima minimalista e mesmo glacial das peças assinadas por Monder. Este duo vira trio – com efeitos especiais criados por Pete Rende no sintetizador – em Zithum (7m05) e Gamma Crucis (5m15). Ben Monder toca a sós em duas faixas - Tendrils (5m20) e Dinosaur skies (7m). Nesta última, com amplo emprego de delays e outros macetes eletrônicos, criando o que um reviwer chamou de “misteriosas paisagens sônicas”.

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