clube de jazz  
 
agenda notícias store
 
o jazz jazz brasil ao vivo galeria
 
 
colunas
perfil
eventos
lançamentos
entrevistas
acorde final
 

Mauro Senise: Lançamentos e Histórias

Aqui estão transcritos alguns trechos da entrevista realizada pelo flautista e saxofonista Mauro Senise para a revista Jazz +. Nela, ele fala sobre seus últimos lançamentos e de como foi sua formação e influências musicais.

24/11/2006 - Revista Jazz Mais, 13 a. edição

Jazz Mais - Quais foram suas referências musicais?
Mauro Senise – No começo foram os brasileiros, como Paulo Moura, Nivaldo Ornellas, Roberto Sion e Victor Assis Brasil, com quem tive algumas aulas.

JM – Foi o Paulo Moura que te apresentou o jazz?
MS – Ele me mostrou Charlie Parker, John Coltrane, Bill Evans, coisas que eu nunca tinha ouvido falar. E logo de cara gostei, achei uma música rica, diferente da que estava acostumado a ouvir. Até então, eu estava mais ligado em mise-em-scene.

JM – Você começou a estudar música com 20 anos, o que é tarde para alguém que quer se tornar um profissional.Como foi o início do aprendizado?
MS – Cursava jornalismo na PUC, mas achava aquilo meio careta e larguei no primeiro semestre. Conheci a Odete Ernest Dias e o Paulo Moura, que tinham a idade dos meus pais, mas com outra cabeça; eram pessoas mais abertas. Quando coloquei a flauta na boca pela primeira vez, em dezembro de 1970, não sabia absolutamente nada de música. Estudei durante uma ano com a Odete, que foi uma professora maravilhosa. Nesse período conheci coisas do Bach, choro, que até então não tinha noção. Depois de um ano e meio fui estudar com o Paulo Moura, que apesar de ser erudito, tinha um pé no jazz.

JM – Como fez para recuperar o tempo perdido?
MS – Eu sempre fui meio ghost, fora do esquema. Naquela época ainda morava com a minha mãe, então aproveitava da mordomia e estudava cerca de oito horas por dia. Compensei o tempo perdido e comecei a descobrir um mundo novo. Já estudava com a certeza de que tinha achado o caminho da minha vida. Mas nunca fiquei alienado a nada. Só faço o que gosto. Estou vivendo um momento feliz, lançando novos trabalhos e projetos.

JM – Fale um pouco de seu novo trabalho “Casa Forte – Mauro Senise toca Edu Lobo”.
MS – Foi gravado nos estúdios da Biscoito Fino e será lançado no dia 30 de novembro, na Sala Cecília Meirelles. O Edu Lobo participou cantando “Canção do Amanhecer”, acompanhando pelo meu quarteto e por mais uma orquestra de cordas. Ele me deu duas músicas inéditas para serem lançadas nesse disco: “Arpoador” e “Valsa Carioca”. No show de lançamento será gravado meu primeiro dvd, com participações de Edu Lobo, Jota Moraes (piano) e David Chew (cello).

JM – Fale também sobre os álbuns “Templo Caboclo” e “Extra de Vários”.
MS – No Templo Caboclo são só compositores brasileiros, improviso músicas de Radamés Gnatalli, Guerra Peixe com arranjos do Jota Moraes. É um trabalho que eu adoro, com clássicos brasileiros que sempre ficaram em segundo plano. Junto com o Jota, fiz uma garimpagem na nossa música, mostrando coisas esquecidas. No outro cd, tem a mão do Gilson Peranzzetta. São composições de Bach, Beethoven, Chopin, Debussy, Villa-Lobos,...

JM – Em quantos projetos paralelos você está envolvido?
MS – Pertenço ao grupo Cama de gato, que está completando vinte anos. Mas fazemos poucos shows, porque está cada vez mais difícil viajar. Tem o Mauro Senise Quarteto, com o Paulo Russo (baixo), Mamão (bateria) e o Itamar Acieri, um bom pianista da nova geração. Toco também em duo com o Peranzzetta. São músicas dele: tem frevo, baião, vários estilos, mas sempre música brasileira. Tem o trio com Peranzzetta e o David Chew (cello) e ainda estou em atividade com o Quinteto Pixinguinha, fazendo muitos shows pelo Rio.

JM – Consegue dar conta de tanta coisa ao mesmo tempo?
MS – Consigo porque sou muito organizado, sou bem sargento comigo. Anoto tudo na agenda e respeito os horários. Dificilmente dá alguma zebra; sempre consegui comparecer em todos meus compromissos. Infelizmente, nós músicos, não trabalhamos muito. O Cama de Gato já ficou três meses sem fazer um show.

Topo da página | Envie a um amigo | Voltar para Entrevistas

 
copyright clube de jazz 2004  
cadastre-se   termos de uso   contato   sobre nós