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2006: um ano pra lá de bom

Em seu artigo de fim de ano, a competente jornalista musical Maria Luíza Kfouri destacou a grande qualidade da safra brasileira, tanto na área instrumental quanto na área dos discos cantados.

Entre os melhores estão: A Deriva, Comboio, Zeli, Edu Ribeiro, Vittor Santos, SambaJazz trio e Toninho Ferragutti.

05/01/2007 - Maria Luíza Kfouri, site Music News, 21/12/2006

Se, como dizem, dia de muito é véspera de nada, já estou temendo o próximo ano musical. Começando dentro da área instrumental, o que dizer de um ano que, sempre pelas ditas pequenas gravadoras e pela produção independente, nos trouxe:

  • "Dois panos pra manga", de João Donato e Paulo Moura;
  • "Choro carioca, música do Brasil" - 9 CDs com um mapeamento da presença e atuação do choro por todas as regiões do Brasil, através de 132 obras, de 74 compositores nascidos até 1905, com produção de Luciana Rabello e Maurício Carrilho;
  • "Foto do satélite", de Arismar do Espírito Santo;
  • "Wonderland", de Badi Assad;
  • "Baba de calango" de Alessandro Penezzi em seu segundo disco solo com o grupo Choro Rasgado;
  • "Remexendo", de Euclides Marques e Luizinho 7 Cordas;
  • "Radamés em companhia", de Caio Márcio e Marcos Nimrichter;
  • "Radamés e o sax", de Léo Gandelman;
  • "100 anos de Radamés Gnatalli - Obra integral para violoncelo e piano", de Fernanda Canaud e David Chew;
  • "Unha e carne", de Marcus Tardelli, tocando Guinga;
  • "Terra Esperança", de Sivuca, pra nossa tristeza seu último disco;
  • "E por falar de acordeon", de Chico Chagas;
  • "Coisas da vida", de Daniel Wolff e Wilfried Berk;
  • "Lume", de Chico Batera;
  • "Vem ver", de Edu Negrão e "Já tô te esperando", de Edu Ribeiro;
  • "Só Pixinguinha", de Silvério Pontes e Zé da Velha";
  • "Gafieira de bolso", de Eduardo Neves;
  • "Samba e amor", do grupo Gente Fina e Outras Coisas;
  • "Comboio", do grupo de mesmo nome;
  • "O choro e sua história", de Izaías e Israel de Almeida;
  • "Brasilianos", de Hamilton de Holanda;
  • "Nesse tempo", de Marcelo Caldi;
  • "Casa Forte", de Mauro Senise, tocando Edu Lobo;
  • "Suíte do Rio", de Monique Aragão;
  • "Gafieira Jazz", de Paulo Moura e Cliff Korman;
  • "Ney Conceição", o disco solo do contrabaixista Ney Conceição
  • "Abstrações", do quinteto Quintal Brasileiro;
  • "Um sopro novo", do Quinteto Villa-Lobos;
  • "Pintando o sete", de Rogério Caetano;
  • "Em movimento", de Zeli;
  • "Passo de Anjo", de Spok e sua orquestra de frevo;
  • "Jazzmim", de Raul de Souza;
  • "À deriva", do quarteto de mesmo nome;
  • "Agora sim!", do Sambajazz Trio;
  • "Renovando as considerações", de Vittor Santos;
  • "Chorando as pitangas", de Vitor Lopes;
  • "Solo e muito bem acompanhado", de Zezo Ribeiro;
  • "Nem sol, nem lua", um grande disco deste grande instrumentista e compositor que é Toninho Ferragutti.

Agora, indo para os discos cantados, o que dizer de um ano:

  • em que Marisa Monte lançou dois discos ao mesmo tempo;
  • em que, depois de 7 anos Chico Buarque voltou ao disco e aos shows com o belíssimo "Carioca"; em que Caetano Veloso mostrou, com "Cê", que continua o gênio de sempre;
  • em que Dori Caymmi e Joyce lançaram, juntos, o imperdível "Rio-Bahia";
  • em que Ceumar lançou "Achou!", só com composições de Dante Ozzetti;
  • em que Bebeto Castilho nos relembrou, com "Amendoeira", os bons tempos do Tamba Trio;
  • em que Eduardo Gudin, depois de muito tempo, lança seu "Um jeito de fazer samba", com músicas inéditas e seu ótimo violão em primeiro plano;
  • em que Arnaldo Antunes, com seu "Qualquer", faz - na minha opinião - o melhor disco de toda a sua carreira;
  • em que Ivan Lins faz seu canto de amor ao Rio de Janeiro em "Acariocando";
  • em que Rômulo Froes lança seu segundo disco - "Cão" - e se afirma como um compositor e cantor de primeira;
  • em que João Bosco, com "Obrigado, gente!", faz um disco ao vivo sem cair na mesmice que tem caracterizado esse tipo de lançamento;
  • em que Jussara Silveira também lança dois discos - "Nobreza", em duo com Luiz Brasil, e "Entre o amor e o mar";
  • em que Francis Hime, com "Arquitetura da flor", mostra mais uma vez porque os clássicos são clássicos;
  • em que a especialíssima Rosa Passos nos presenteia com "Rosa";
  • em que Pedro Miranda, do grupo Semente, chega a seu primeiro disco solo, "Coisa com coisa"; em que Arrigo Barnabé volta ao disco e faz uma linda homenagem com sua "Missa in memorian Itamar Assumpção";
  • em que tivemos a estréia em disco da cantora Adriana Moreira cantando o compositor baiano Batatinha em "Direito de sambar";
  • em que Antônio Nóbrega deu seqüência a seu projeto de festejar os 100 anos do frevo com o segundo volume de "Nove de frevereiro";
  • em que o grupo A Barca lançou sua trilogia "Trilha - Trupé - Toada", um maravilhoso registro de suas andanças pelo Brasil;
  • em que Tom Zé, sempre independente, apronta tudo o que quer em "Danç-êh-sá";
  • em que Osvaldinho da Cuíca lança o ótimo "Em referência ao samba paulista";
  • em que Benjamim Taubkin pilota dois projetos e os lança nos discos "América contemporânea, um outro centro" e "Cantos do nosso chão";
  • em que, quatro anos depois do primeiro, a cantora gaúcha Adriana Deffenti lança seu segundo CD, um disco e uma cantora que o Brasil todo precisa conhecer;
  • em que outro gaúcho, Marcelo Delacroix lança "Depois do raio", um grande disco;
  • em que Alaíde Costa faz um luxuoso dueto com o piano de João Carlos Assis Brasil em "Voz e piano";
  • e, por fim, ano em que Maria Bethânia, com "Mar de Sophia" e "Pirata" e cada vez mais senhora de sua voz e de seu ofício, me enche de alegria por ser brasileira como ela e contemporânea de sua arte e inteligência.

Pois então, como se vê por esta amostra, os músicos brasileiros não se intimidam com crises, nem com a ditadura do mercado e vêm produzindo música de muita qualidade, em que pesem as idéias e declarações infelizes - já comentadas aqui - de dois dos comandantes de grandes gravadoras, de que produzir boa música dá muito trabalho e não vale a pena. Aliás, um deles já não comanda mais nada e foi demitido da presidência nacional de sua gravadora por transmitir para a matriz números mentirosos acerca dos lucros que teriam obtido aqui.

E para que 2007 não seja um ano de nada, basta que se lancem discos de Edu Lobo, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Nana Caymmi, Guinga, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, José Miguel Wisnik, Arthur de Faria e João Bosco (inédito), isso só pra citar alguns, além de todos os instrumentistas que, com a cara, a coragem e o imenso talento que têm, vêm demonstrando há anos como assegurar a qualidade da música brasileira.

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