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O Jazz nas Noites de BH

Eduardo Girão fez uma matéria de fôlego, para oferecer ao leitor os bastidores das principais casas de Belo Horizonte que oferecem o jazz em seu cardápio musical. Confira os shows na Agenda-BH do site.

Chico Amaral Quarteto toca às quintas no Bar 222 (foto: Pedro Motta)

02/03/2007 - Eduardo Tristão Girão, para o caderno Divirta-se do Estado de Minas, 02/03/2007

Amantes do jazz e da música instrumental têm programa garantido a semana inteira em Belo Horizonte. É possível assistir a shows diariamente na cidade, em até três casas diferentes. Grande nomes da música em Minas, como Toninho Horta, Juarez Moreira, Chico Amaral, Neném, Celso Moreira, Beto Lopes e Enéias Xavier, apresentam-se em diferentes formações e tocam desde standards de mestres do jazz a bossa instrumental. Entre boates e pequenos bares, os locais agradam todo tipo de público.

Bar 222

O saxofonista Chico Amaral faz show às quintas-feiras no Bar 222, no Anchieta
Bares e cafés de Belo Horizonte são um prato cheio para quem gosta de ficar cara a cara com músicos famosos da cidade. Músicos como Toninho Horta, Juarez Moreira, Chico Amaral e Aliéksey Vianna desfilam belos solos, melodias e harmonias bem perto de quem procura por jazz e música instrumental na noite da capital mineira. Chegando cedo, dá para conseguir aquele lugar na fila do “gargarejo”, de onde é possível flagrar expressões dos músicos e acompanhar, nota por nota, a desenvoltura deles ao vivo.

Quando Chico Amaral escolheu o Bar 222 para tocar, o motivo era o sossego do local, que, até então, não era dos bares mais agitados. Com suas quintas-feiras estabelecidas, o músico passou a atrair muita gente ao pequeno bar. E lá se vão três anos. “Criamos um vínculo com o lugar e com o público. Vemos sempre as mesmas pessoas. É uma espécie de clube. Isso é bom, pois dá para a gente n a certeza de que aquele público é fiel e está gostando. Vira uma comunhão. Não sei se eles deixam a gente mal-acostumado. Acho que não, pois estamos sempre nos esforçando. O jazz é arriscado, a gente sempre pode se queimar”, afirma Chico Amaral.

Acompanhado por Limão (bateria), Magno Alexandre (guitarra) e Beto Lopes (baixo), o saxofonista interpreta repertório que contempla música mineira e jazzistas clássicos: de Milton Nascimento e Toninho Horta a Herbie Hancock, Chick Corea e Wayne Shorter. “Temos identidade forte com a música mineira. Temos orgulho dessa grife. Tocamos essas músicas com mais segurança”, diz. “O bar fica tumultuado. É bom e é ruim. Às vezes, o fuzuê atrapalha, mas a gente se entende, pois nem sempre sabemos tocar num volume baixo”, conta. Mas, pelo que diz, tudo acaba dando certo, já que se refere ao bar como seu “quartel general”.

Mezanino da Travessa e Capim Limão

O guitarrista Juarez Moreira, acompanhado por banda, fará show hoje, às 21h, na abertura da programação mensal do Mezanino da Travessa, espaço para shows na sobreloja da Livraria da Travessa. Nas próximas três sextas-feiras, estão previstos dois shows do flautista Mauro Rodrigues e um do saxofonista Cléber Alves.

As apresentações de música instrumental começaram no Bar e Restaurante Capim Limão, em Nova Lima, que é comandado por Fábio Campos, mesmo proprietário da Livraria e do Mezanino da Travessa. “Muita gente, entre clientes e os próprios músicos, pedia para que os shows fossem feitos na Travessa, em função das dificuldades de acesso”, lembra ele. A programação começou a ser feita no quarteirão fechado da Rua Pernambuco, em frente à livraria. Em setembro do ano passado, o Mezanino foi inaugurado e os músicos passaram a tocar lá.

Praticamente todos os principais atores da cena instrumental belo-horizontina já passaram pelo espaço, seja em shows próprios, seja dando “canjas”. As apresentações de sexta-feira duram cerca de duas horas e começam às 21h (couvert individual de R$ 10). Enquanto os músicos tocam, o atendimento feito pelos garçons não é suspenso, mas a equipe da casa se vale de um artifício inteligente para minimizar a movimentação pelo salão. Antes da primeira música, cada mesa recebe um balde de gelo com um pequeno estoque de bebidas.

“Durante o show, deixamos a luz só no palco. O público tem sido muito educado”, afirma Fábio. A casa recebe até 120 pessoas e filas costumam se formar na porta, em dias de show. “Sempre temos uma reserva técnica, que atende aqueles que chegam aqui sem ter mesa marcada”, tranquiliza.

Livraria Status

Outro músico famoso que se apresenta hoje na cidade é o guitarrista Toninho Horta. Com banda, mostrará ao público suas técnicas e timbres peculiares na Status, às 20h30. O espaço tem capacidade para 160 pessoas e foi inaugurado há cinco anos. “Nosso público é fiel e variado. É bem mais seleto e não gosta de bagunça. Durante as músicas, as pessoas conversam, mas sem barulho”, garante o gerente Ivan Carlos.

Thoth

Na recém-inaugurada Thoth, boate instalada na região da Seis Pistas (divisa de Belo Horizonte e Nova Lima), o jazz dá o tom das noites de terça-feira, com apresentação do Simply Jazz Trio. Formado por Enéias Xavier (baixo), José Namen (teclado) e Leo Pires (bateria), toca clássicos do jazz, como Miles Davis, John Coltrane, Herbie Hancock e Chick Corea. No repertório, estão ainda releituras jazzísticas para canções da MPB (Noel Rosa, Ary Barroso, Tom Jobim) e até dos Beatles.

“É um espaço bacana, que comporta muita gente e pode se tornar ponto do jazz na cidade. Tem características dos clubes de jazz, com palco pequeno, lugar aconchegante e bom som, com técnico experiente para nos ajudar. O produtor da terça, Bruno Tostes, nos deixa à vontade para tocar. Fazemos o jazz aberto, moderno com influências variadas”, resume Enéias. Os shows começam às 20h.

A Thoth tem capacidade para receber 500 pessoas e conta com estacionamento para 300 veículos. Como não é propriamente uma casa de espetáculos (também funciona como boate, com DJs), é natural que o público não se comporte como se estivesse no Palácio das Artes. Mesmo assim, conta o baixista, o comportamento da clientela da casa tem sido “muito bom”. “As pessoas vão para ouvir música mesmo. Mas é aquela coisa de bar. Os mais sensíveis prestam mais atenção”, completa.

“Não há briga entre música e cliente. A gente toca no volume ideal. As pessoas podem conversar e ouvir a música sem que uma coisa interfira na outra”, garante José Namen. Nos intervalos dos shows, há preocupação em relação ao som ambiente, para que não destoe do que estiver sendo tocado na noite, seja sertanejo (quarta), pop rock (quinta), samba (sábado) ou até mesmo os DJs (sexta).

Vitrola Café

Enxuto Apesar de pequeno (comporta cerca de 30 pessoas), o Vitrola Café reserva espaço para a música instrumental ao vivo desde que foi aberto, em agosto de 2005. Não é para menos: o proprietário, Rodrigo Ferreira, é guitarrista e estudou jazz nos Estados Unidos entre 2002 e 2004. Quando não há músicos tocando na casa, o som ambiente mantém o jazz rolando. “Às vezes, uma bossa nova”, diz Rodrigo.

Na sexta quem agita o local é o grupo Jazz Brasil, formado por Fred Corrêa (bateria), Antônio Rezende (guitarra) e Márcio Piantino (baixo). Amanhã é a vez do duo Luiz Antônio e Cês 4, gaita e guitarra, respectivamente. “São grupos bem distintos. O som do duo é mais intimista, bem jazzy, próprio para casais e para quem quer bater um papo com amigos. Já o Jazz Brasil é mais heavy, com som mais alto. Para músicos, é um prato cheio”, explica. Em ambas as ocasiões, o couvert é de R$ 6 (individual).

“Tem muita gente boa que toca aqui e não é muito conhecida. Prefiro dar chance para essa turma. Aqui é pequeno e não rende muito dinheiro para eles. Tocam por prazer, parecem ter mais gana. Sempre preciso cortar o som, pois freqüentemente eles passam do horário”, completa o proprietário.

Café com Letras

Pioneiro O Café com Letras é uma das casas que investem em jazz há mais tempo. Desde 1996, quando foi aberta. O estabelecimento desse gênero musical na programação tem origem curiosa, como lembra o proprietário Bruno Golgher: “Sempre gostamos de jazz, mas não queríamos cobrar couvert dos clientes. Resolvemos bancar uma apresentação da banda do Chico Amaral. No dia seguinte, um senhor perguntou se haveria mais shows. Dissemos que não, pois não tínhamos dinheiro. Então, ele resolveu patrocinar umas 10 apresentações da banda, durante dois ou três meses. Ele fez com que o jazz pegasse aqui”.

A vocação para o jazz se confirmou posteriormente. Em 2000, fizeram o On the jazz, primeiro de uma série de festivais que até hoje agitam a cidade a cada ano. Atualmente, chama-se Savassi Festival: Jazz e Lounge, reunindo muita gente nos quarteirões próximos ao café, atraída por apresentações de grupos e DJs. “O jazz é cíclico na cidade. Quando começamos a tocá-lo, foi uma corrida do ouro. Todo mundo começou a ter jazz. De lá para cá, o número de casas aumentou”, avalia Bruno. Domingo, Aliéksey Vianna (guitarra), Neném (bateria) e Pablo Souza (baixo) abrirão a programação de jazz do café, que inclui shows semanais do trio durante este mês. Os shows começam às 19h, duram duas horas e têm intervalo de 30 minutos – é cobrado couvert de R$ 6.

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