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Mariano Otero & Noise Viola

O Clube de Jazz apresenta dois trabalhos do crítico musical Bruno Vitorino: Tres, do contrabaixista argentino Manuel Otero e do quarteto instrumental pernambucano Noise Viola.

Mariano Otero, contrabaixista argentino

01/07/2007 - Bruno Vitorino

Mariano Otero Orquestra - Tres
Epsa Music (Argentina), Agosto de 2006


É interessante, mas historicamente nós brasileiros nos sentimos muito mais próximos dos Estados Unidos e Europa do que os outros países da América Latina, como o Chile, Bolívia, Peru, e outros. É como se o Brasil tivesse nascido de costas para eles e assim ficado até hoje. A exceção talvez esteja na Argentina, onde o abismo que nos separa é um pouco menor.

Entretanto, ainda assim, a forte cena jazzística de sua capital, Buenos Aires, é praticamente desconhecida por aqui. Várias bandas de qualidade elevadíssima são facilmente encontradas por lá, em discos e apresentações, nas muitas casas especializadas no estilo. E disso quase não tomamos conhecimento.

Dentre a nova produção do jazz portenho figura o baixista-compositor-arranjador Mariano Otero. Nascido na cidade de Avellaneda, o jovem músico (tem apenas 31 anos), sob a influência do pai também músico, dedicou-se desde cedo ao estudo de piano e violão; passando ao baixo elétrico aos 15 anos de idade e posteriormente ao contrabaixo acústico.

Em seu mais novo trabalho, o álbum Tres, Otero lidera uma big band formada por 13 músicos de diferentes gerações do jazz portenho. Dentre eles estão o veterano Juan Cruz de Urquiza (trompete e fluegelhorn); o jovem Francisco Lo Vuolo (piano e rhodes) e o grande Pepi Taveira (bateria).

Juntos, investem em ricas texturas harmônicas e melódicas; além de explorar campos livres para os improvisos dos músicos. Cheio de nuances, ida e vindas, numa perspectiva musical ao estilo de Charles Mingus e Dave Holland, o trabalho de Mariano Otero resulta, sem dúvida, num dos mais belos álbuns de jazz recém lançados. Olhemos mais para as produções do lado de cá, a fim de evitar que tão brilhantes discos como este passem despercebidos pelos amantes brasileiros de jazz. É um trabalho que julgo fundamental em toda coleção.

Noise Viola - Noise Viola
Independente (Recife, PE), Junho de 2007


Uma das definições para rapsódia é: “fantasia instrumental que utiliza temas e processos de composição improvisada tirados de cantos tradicionais ou populares de um determinado país”. Sobre esse conceito, ergue-se a música instrumental do grupo pernambucano Noise Viola, registrada em seu primeiro álbum lançado no Teatro de Santa Izabel no dia 14 de junho.

Formado por Fred Andrade (guitarra, violão tenor e violão de aço), Breno Lira (viola e violões), Paulo Barros (violões) e Tomás Melo (percussão), o Noise estreou em novembro de 2003 na Semana de Música do Conservatório Pernambucano com a proposta fundir elementos da música popular pernambucana como o frevo, xote, baião, maracatu, coco, com a música erudita, enfatizando sólidos arranjos para cordas. O resultado dessa miscelânea é uma música forte, espontânea, carregada de sentimento, conseguindo ser mundial preservando, ainda assim, sua identidade regional sem provincianismos e artificialidades.

Com os recursos do programa Funcultura, o disco do Noise prima pela excelência. São doze faixas (das quais nove são autorais) que passam com desenvoltura por diversos terrenos musicais. A faixa de abertura, “A Primeira Pá de Cal”, é um prelúdio em violão tenor que nos convida a apreciar a beleza das construções arquitetônicas proporcionado pelo seu mar de cordas. Em “Música Feia”, vemos o caráter introspectivo do grupo no mais alto patamar, com um toque do impressionismo de Debussy. E na leitura de “Nino, O Pernambuquinho”, do maestro Duda, é visível a sobriedade dos músicos no frevo, com direito a belos improvisos por cima de sua rica base harmônica.

Vale ressaltar a grandeza dos músicos envolvidos no projeto. A começar por Fred Andrade à guitarra com sua técnica apurada. Limpa, porém não ao ponto de aniquilar o sentimento, como fazem muitos músicos preocupados estritamente com o refino técnico; como Pat Metheny, por exemplo. Breno Lira com sua viola mantém um diálogo permanente com a guitarra em ostinatos, “chamadas e respostas” tão típicas do Jazz, além de se lançar a ousados improvisos. Paulo Barros ao violão mantém a base firme. Por fim, Tomás Melo dita a pulsação com maestria, preenchendo os compassos inclusive com efeitos de percussão na hora exata. Além disso, o disco conta também com a participação de músicos convidados em algumas faixas, como Ebel Perrelli (bateria), Bozó (violão sete cordas), Cláudio Negrão (baixolão); dentre outros.

Mistura, mescla, mosaico, fusão, todas essas palavras são válidas quando se trata do Noise Viola, pois rapsódia é exatamente isso: a capacidade de agregar com naturalidade vários modos de expressão musical de maneira a criar algo novo. E isso, definitivamente, é encontrado nesse disco. Fantasia instrumental em estado puro, em ebulição.

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