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Sobre A Construção do Samba

O crítico musical Gustavo Kalil aborda o livro do dublê de historiador e romancista Jorge Caldeira, A Construção do Samba, destacando-se a importância do samba no contexto histórico-social, seguida de uma biografia sobre Noel Rosa.

14/08/2007 - Gustavo Kalil

O Samba e a Malandragem

A música popular brasileira sempre exerceu grande fascínio na sociedade. Imprimiu valores, definiu costumes e fortaleceu sua identidade cultural no mundo ocidental. O século 20 foi fortemente marcado pelo aparecimento do rádio como divulgador da chamada música urbana. Ritmos e gêneros foram surgindo, definindo conceitos musicais, que foram incorporados à chamada sociedade de consumo.

O ano de 1917 marcou profundamente o início do samba, ainda que de forma imprecisa, como gênero urbano. A paródia gerada a partir de uma reportagem (“O chefe da polícia / pelo telefone / manda me avisar / que na Carioca / tem uma roleta / para se jogar”), lançou o samba como forma musical e fenômeno social. O samba “Pelo telefone” foi o primeiro samba gravado, embora se discuta sua autoria e sua caracterização como samba. Donga, o provável autor, mandou registrar a partitura na Biblioteca Nacional, abrindo caminho para a comercialização do gênero e a profissionalização do músico, estruturando a partir de então, toda a ordem musical vigente.

Com o aparecimento do disco, e o surgimento do fonógrafo, a profissão de cantor ganhou força no cenário artístico. Com a modificação do sistema mecânico de gravação pelo sistema elétrico, cantores de menor expressão e talento, puderam expor suas vozes, massificando o samba e enriquecendo a indústria, que explorava o samba de maneira desordenada. Os anos 40 foram marcados pela criação da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), que era responsável pela arrecadação de direitos autorais pela execução de músicas em rádios, shows e bailes.

O samba “Pelo telefone” foi o mote principal para a definição da origem e caracterização do gênero. Produto da resistência da cultura negra, resultado da inserção urbana dos negros após a escravidão. Foi chamado de evento social no século XVII, eximindo seu caráter musical. Foi caracterizado também como Batuque, coreografia ou dança acompanhadas por uma forte instrumentação percussiva, originária da África.

Sob o ponto de vista estético, podemos traçar um paralelo com as tradições jazzísticas. O Ragtime foi um estilo de jazz predominante do final do século XIX, marcado por forte acentuação rítmica, assim como o samba, de ritmo binário e sincopado.

Noel Rosa

A década de 30 foi marcada por grandes mudanças no cenário histórico e político do país. Desenvolvimento da burguesia agrária, acordos entre oligarcas e a burguesia do café para o controle do sistema político, estavam na pauta do projeto de desenvolvimento do país. Nada disso importava para o jovem Noel Rosa, aspirante à artista, que transformou em música a realidade em questão.

A figura do malandro esteve sempre presente em seu cotidiano. Usado como figura de linguagem, assume o papel de narrador do samba gravado. Foi usado como contraponto entre burguesia e proletariado, patrão e assalariado, sendo criticado por ambos os lados. Para os ricos, era a escória da sociedade. Para os pobres, era sinônimo de ócio, que acabou transformando em principal fonte de inspiração e realização.

Teve como parceiros: Hervé Cordovil, Nássara, Ary Barroso e Lamartine Babo. Nenhum deles tão importante como Vadico, autor de “Feitio de Oração” e “Feitiço da Vila”. Como intérpretes de seus sambas, se destacaram Aracy de Almeida, Marília Batista e Mário Reis. Suas composições se aproximaram da fase do modernismo (Pós 1922), de Manuel Bandeira e Oswald de Andrade. O coloquialismo foi a síntese de um estilo marcado pela simplicidade, humor e riqueza nas letras das músicas.

O autor discorre sobre a importância de se avaliar o samba no contexto histórico-social. A individualização da figura do autor e a circulação da obra por meios mecânicos foram elementos essenciais para a compreensão e afirmação do samba no Brasil e no mundo. O livro “A Construção do Samba” mostra como o samba evoluiu, definindo sua identidade na música popular brasileira.

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