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Mariana Leporace canta Baden

Marianna Leporace lança disco em homenagem ao violonista brasileiro que, se estivesse vivo, estaria prestes a completar 70 anos. O cd tem as presenças de Philippe e Marcel, filhos de Baden Powell.

Mariana Leporace no estúdio, gravando o cd em homenagem a Baden Powell

16/08/2007 - Eduardo Tristão Girão e Kiko Ferreira para o Estado de Minas, 01/08/2007.

Baden com Emoção (Eduardo Tristão Girão, Estado de Minas, 01/08/2007)

Se estivesse vivo, o violonista Baden Powell completaria 70 anos esse mês. Natural da pequena cidade fluminense de Varre-sai, foi um dos mais importantes instrumentistas brasileiros, consagrado por seu estilo, que misturava samba, música clássica, batuque e improviso. Gravou cerca de 70 discos, entre eles o antológico Os afro-sambas, em parceria com Vinicius de Moraes. Homenagens são inevitáveis e o novo álbum Marianna Leporace canta Baden Powell, da cantora carioca Marianna Leporace, é uma das mais significativas. Não só pelo repertório, mas pelo fato de reunir, pela primeira vez em disco, Philippe Baden Powell e Louis Marcel Powell, filhos do mestre Baden, desde a morte do pai, em 2000.

Produzido pelo japonês Kazuo Yoshida (que já trabalhou com vários nomes da MPB), o disco foi gravado no Rio de Janeiro em 2005 e lançado no Japão ano passado. A chegada ao mercado brasileiro se deve ao selo Mills Records, pelo qual Marianna já havia lançado trabalhos. “Esse disco é resultado do convite que recebi do Yoshida, apaixonado pela música brasileira. Ele veio para o Rio, onde arregimentamos e gravamos tudo. Yoshida tem muito bom gosto e é músico, por isso o trabalho não ficou com cara apenas internacional, mas brasileira também. Rolou muita harmonia e isso ficou claro no disco”, relata a cantora carioca.

Philippe e Marcel (os dois nasceram na França) assinam arranjos e tocam piano e violão, respectivamente, no disco. Com o pai, gravaram dois discos: Baden Powell e filhos (1994; marca o início da carreira dos irmãos) e Suíte Afro Consolação (1997; lançado no Japão). A eles foi somado time de músicos composto por Willians Pereira (violão), Fernando Leporace (baixo), Edu Szajnbrum (bateria e percussão), David Granc (flauta), Dodô Ferreira (baixo acústico), Célia Vaz (violão), Marcelo Martins (flauta) e os japoneses Mikio Watanabe (violão), Yuji Otuka (cuíca) e Yukie Ishi (flauta), além do próprio Yoshida (bateria). O trio vocal Folia de 3, composto por Marianna, Cacala Carvalho e Eliane Tassis, também participou das gravações.

Marianna Leporace confessa que teve receio de gravar algo que soasse como mais do mesmo. “Cantar Baden envolve muita responsabilidade, já que foi gravado por intérpretes importantes como Elis Regina e Elizeth Cardoso. Tive muito cuidado, pois é muito difícil não se espelhar nesses ícones. Fica difícil criar uma marca, mas mergulhei de cabeça e relaxei. Não me preocupei com inovação, quis emocionar. Qualquer semelhança, fica como homenagem”, afirma.

A faixa de abertura do disco é Cai dentro, que Baden escreveu com Paulo César Pinheiro. O repertório prossegue com a clássica Samba da bênção, Pra que chorar, Só por amor e Berimbau, todas da parceria dele com Vinicius de Moraes. Lapinha (com Paulo César Pinheiro) e Apelo (com Vinicius de Moraes) são as únicas em que Marcel participa, ao violão. Já o irmão, o pianista Philippe, imprime sua marca em canções como Cidade vazia (com Lula Freire), Tempo feliz (com Vinicius de Moraes) e no medley que reúne os afro-sambas Canto de Ossanha, Bocochê, Canto de Iemanjá e Canto de Xangô.

“A participação de Philippe e Marcel fluiu muito bem desde o primeiro contato. Chegaram com a maior boa vontade e carinho. A gente nem se conhecia, mas nos entendemos muito bem. Foi uma empatia natural. Philippe é mais jazzista, o que se reflete nos seus arranjos. Marcel é mais vigoroso, está mais ligado à performance. Philippe, eu diria, é apenas mais cool que Marcel. Os dois são brilhantes”, elogia. Como Philippe mora na França, Marianna mantém mais contato com Marcel, que também mora no Rio – inclusive, o violonista tem feito participações especiais nos shows da cantora. “Estamos nos aproximando musicalmente, nos tornando amigos”, diz.

Em casa, bem à vontade

Herdeiro da tradição musical do pai, o também violonista Marcel Powell, de 25 anos, vive momento fértil em sua carreira. Além dos shows como solista, dedica-se a pelo menos três formações distintas paralelamente, o que inclui duo com o violonista Victor Biglione. Além dos dois discos que gravou com o pai e o irmão, o artista já lançou outros dois: Marcel Powell samba novo (em 2000, só no Japão) e Aperto de mão (2005; que lhe rendeu indicações e prêmios). Marcel está se preparando para gravar seu terceiro álbum.

Ele começou a estudar violão aos 9 anos, com o próprio pai. “Ele era muito rígido. Agradeço a Deus por isso. Para ser instrumentista, é preciso ter dedicação e disciplina. Como meu pai dizia, a gente tem que ser escravo do instrumento para dominá-lo. A música é maior que o músico. Faço isso com o maior prazer”, conta. Outra lição que o marcou, dada pelo pai, foi de humildade: “Ele sabia do próprio valor, mas não tinha nenhuma arrogância”.

Encontros com o irmão Philippe são raros, mas os dois procuram manter contato por telefone. Um acompanha o trabalho do outro (inclusive comprando os respectivos discos), mas ainda não têm planos de fazer shows nem discos juntos. “Somos solistas, não é?”, justifica.

Marcel não teme comparações com o pai e assume orgulhosamente as influências daquele que foi seu primeiro professor. “São muitas, com certeza”, diz. Hélio Delmiro, Raphael Rabello, Sebastião Tapajós, Paco de Lucia, John McLaughlin e Al di Meola são outros mestres que admira. “No dia em que alguém me reconhecer no rádio, poderei dizer que criei um estilo. O público é o grande termômetro”, acredita.

Tempero japonês (Kiko Ferreira, Estado Minas, 01/08/2007)

Poucos meses depois do disco da revelação Marcela Mangabeira, feito para o mercado japonês, ter sido lançado no Brasil, mais uma produção nipônica de música brasileira chega ao país. Desta vez, a voz e o repertório são bastante conhecidos. Irmã da também cantora Gracinha Leporace e do músico e compositor Fernando Leporace, Marianna Leporace apresenta seu sétimo disco, Mariana Leporace canta Baden Powell, segundo trabalho produzido pelo bossa-novista japonês Kazuo Yoshida.

As 17 composições do mestre do violão brasileiro ganham roupagem que fica entre a bossa e o jazz. E contam com as participações dos filhos de Baden, Philippe Baden Powell e Marcel Powell nos arranjos e, respectivamente no piano e no violão. Entre os músicos, brasileiros de estirpe e história, como Célia Vaz (violão), Dodô Ferreira (baixo), David Ganc (flauta) e Fernando Leporace (baixo), mas também competentes músicos japoneses, como o violonista Mikio Watanabe e, pasmem, o percussioinista Yuji Otuika, responsável por uma bem-resolvida cuíca em Pra que chorar . E o próprio Yoshida, se revezando entre bateria, ganzá e outros apetrechos da tradição afro-brasileira.

Marianna, que fez parte dos grupos vocais Zinnziver, Maite-Tchu e Octopus, nas décadas de 1980 e 90, fez dupla com a pianista Sheila Zagury no espetáculo São bonitas as canções, com composições de Chico e Edu Lobo, e fez três discos da série Pop acústico, uma espécie de Som do barzinho para canções americanas, andou durante quase 50 cidades brasileiras cantando canções folclóricas brasileiras com o grupo O Quinto. Gravou, em 2003, o CD A canção, a voz e o violão, com o violão de Williams Pereira. No ano seguinte estreou no Japão com o álbum As filhas da bossa, dividido com a filha de Carlos Lyra, Kay Lira, e Ana Martins, filha da compositora e cantora Joyce.

Exorcizando, de cara, o fantasma da interpretação definitiva de Elis para Cai dentro, Marianna se sai bem nas releituras de standards internacionais como Samba da bênção, Berimbau, Lapinha e Tempo feliz e se dá melhor nas faixas em que se aproxima do jazz, como no tratamento latin jazz de Cidade vazia e em Tempo feliz, com clima lounge com direito a citação de Samba da bênção na flauta de Marcelo Bernardes.

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