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Ipatinga: amizade regada a bom jazz

Esse artigo retrata com alegria, os três dias da nona edição do Ipatinga Live Jazz, por onde passaram Ithamara Koorax, Jeff Gardner, José Roberto Bertrami e Marcel Powell, entre outros.

Wilson Garzon e Ithamara Koorax durante o Ipatinga Live Jazz

05/10/2007 - Wilson Garzon

Ao contrário do Tudo é Jazz em Ouro Preto, quando participei do festival mais como espectador, em contato com amigos, músicos e jazzófilos, no Live Jazz em Ipatinga, vivenciei o outro lado do festival, ao participar do dia-a-dia da organização e na convivência com os músicos no hotel e no teatro. O resumo dessa ópera é que foram três dias intensos de encontros e curtidos ao bel prazer de um excelente jazz. Depois de viajar por três horas e meia pelas curvas de uma sinuosa rodovia, cheguei a Ipatinga por volta das 4 da tarde e depois de deixar os pertences no San Diego Hotel, meia-hora depois já estava em pleno Teatro, onde me encontrei a produtora do festival Valéria Altoé e Marilda Lyra (imprensa), ganhando uma camisa branca do Live Jazz 2007. Estava, portanto ungido para receber os bons fluidos musicais que viriam a seguir. Gostaria de ressaltar que essa matéria à cobertura de seis shows em três dias (27 a 29/09) e não inclui os de Madeleine Perroux (15/09), Choro na Feira (23/09) e DuoFel (25/09).

27/09 – Quinta-feira

20h30 – Marcel Powell

O Festival, teve seu início com a abertura sendo feita através da Banda TOM, composta por 22 adolescentes e jovens, tocando o tema “Nazareth na Confraria” de Márvio Ciribelli, com público emocionado pela arte dos músicos, todos eles ligados ao projeto social que os sustenta. Logo em seguida, festival começou com o violonista Michel Powell (solo, duo e trio), que prestou homenagens ao pai Baden e a grandes mestres de nossa música popular. Michel abriu com o “Samba do avião” de Jobim e depois viajou nas dores de cotovelo do “Violão Vadio”, onde estava presente o sentimento de um Baden diante a uma crise amorosa. Logo em seguida, convocou Rodrigo Villa no baixo e Sandro Araújo na percussão e bateria para formarem um trio para tocar afro-sambas como Canto de Ossanha, Consolação e Berimbau, entre outras.

22h30 - Luciana Rabelo
A segunda parte da noite ficou por conta do quinteto da cavaquinista Luciana Rabelo, que tinha em sua banda, Cristóvão Bastos ao piano, Julião Pinheiro no violão 7 cordas, Ana Rabello no cavaquinho e Celsinho Silva no pandeiro A primeira parte do repertório foi composta por sambas e choros “mainstream”, competente, porém conservador. O ponto alto foi o duo de Luciana e Cristóvão, que tocaram três choros do próprio Cristóvão, cheio de nuances e inventividades.

28/09 – Sexta-feira

Na manhã de sexta, no café-da-manhã, me encontrei com dois velhos amigos, o produtor e jornalista Arnaldo DeSouteiro, dono do selo americano JSR e Ithamara Koorax, sem dúvida, uma das maiores cantoras tanto de jazz quanto da música brasileira nessa última década. Durante a tarde, fiquei envolvido com a passagem de som para o show da noite; como sou neófito nesse tema, falei pouco, mas prestei muita atenção.

20h30 - Quinteto de Matheus Barbosa
Podemos considerar que esse jovem guitarrista de 16 anos é a mais nova revelação do instrumental mineiro. O seu talento precoce teve o apadrinhamento de grandes músicos mineiros para esse show: Enéias Xavier (teclados), Beto Lopes (baixo elétrico), Esdra “Neném” Ferreira (bateria) e Cléber Alves (sax-tenor e soprano). Como é natural de Ipatinga, o auditório estava repleto de seus colegas da Escola Criativa para vibrarem com standards como “Four on Six” de Wes Montgomery , “Stella by Starlight” e “Vera Cruz”, além de composições pessoais como “Naturalmente”. O final, em grande estilo, coube à bela melodia de Juarez Moreira, “Você chegou sorrindo”.

22h00 - Ithamara Quintet
Sem dúvida, o melhor show do festival. Ithamara Koorax entrou no palco cercada de grandes instrumentistas: Jorge Pescara (baixo elétrico), José Roberto Bertrami (piano e teclado), Haroldo Jobim (bateria) e Dino Rangel (guitarra). O show abriu a mil com o clássico coltraneano “My Favorite Things” emendado com “The Shadow of Your Smile”. Aos poucos a platéia foi se envolvendo com a sua arte e se integrou de vez quando Ithamara fez duos com Dino Rangel em “April in Paris” e “Bye bye Blackbird” com Jorge Pescara (dedicado a esse colunista). Do repertório brasileiro, não poderia faltar a jobiniana “Desafinado” e a marca registrada de Ithamara em “Mais que nada” e a emocionante “Fica mal com Deus”.

A presença do azymuthiano Bertrami foi destaque no piano elétrico em “Autumn in New York” e no teclado em “Toque de Cuíca”, com letra de Arnaldo DeSouteiro. Quando voltou para o bis, Ithamara nos brindou com uma seleção de músicas para mexer com a sensibilidade dessa platéia premiada: cantou “Disritmia” de Martinho da Vila a capella, e fez um duo com Bertrami em “Negue” de Adelino Moreira. A despedida, com chave de ouro, foi arquitetada por Arnaldo ao escrever uma letra sobre o festival de Ipatinga utilizando a música-homenagem “Young and Fine”, de Joe Zawinul, falecido recentemente. Uma boa dica para Valéria Altoé incorporá-la como tema do Ipatinga Live Jazz.

29/09 - Sábado

Pela manhã pude assistir a dois workshops. O primeiro foi ministrado pelo pianista norte-americano Jeff Gardner, que apresentou dentro de um estilo bem acadêmico e didático. Em seguida, foi a vez de Jorge Pescara ensinar seus macetes para improviso no baixo elétrico, utilizando técnicas como slaps e funky fingers, além é claro de apresentar seu livro sobre “Harmônicos”. Pela tarde tive com Arnaldo e Pescara uma proveitosa discussão sobre Cds x Downloads. Na minha opinião, não há conflito, pois se trata de dois mercados diferenciados: o cd atende a um mercado tradicional identificado com o rito da compra e o download atende a quem fez sua opção pela virtualidade, ou seja música baixada pela internet. Acima desse conflito estão os direitos autorais, as mudanças tecnológicas e o futuro do negócio da produção cultural. Esse tema irei desenvolvê-lo mais tarde numa matéria especial para o Clube de Jazz.

20h30 – Trombominas
A Cia. Trombominas - Quarteto de Trombones, formada há nove anos pelos professores Marcos Flávio, Alaécio Martins, Renato Lisboa e Sérgio Rocha, possui um amplo repertório com mais de duzentas músicas, atendendo tanto o público erudito quanto o popular. Tendo como mestre de cerimônias Marcos Flávio, o Trombominas se apresentou dentro da mpb, com exceção de duas composições: “Contraponto No. 9” de Bach, em ritmo de samba utilizando uma harmonia classificada de “horizontal”, ligada à polifonia, comum na época do autor; e “Trenzinho Caipira” de Villa-Lobos, numa interpretação que cativou toda a platéia. Do nosso cancioneiro, homenagearam o Clube da Esquina com “Fé cega, Faca amolada”, Pixinguinha com “Carinhoso”, a bossa nova com “Eu sei q vou te amar” e o Nordeste com “Amargo que nem jiló”

22h30 - Jeff Gardner Trio
O último show do festival foi conduzido por Jeff Gardner ao piano, tendo Alberto Continentino no baixo acústico e Rafael Barata na bateria. O repertório foi quase todo baseado "Abraços", último cd do trio, sendo que o único standard executado foi “Felicidade”, de Tom e Vinícius. As músicas interpretadas no show seguiam ao parâmetro de homenagens (Hermeto Paschoal e a Banda Mantiqueira) idealizado por esse competente pianista radicado há muito no Brasil e morando atualmente em Saquarema/RJ. Do cd também foram executadas “Chameguenta” e a linda “Barca das Estrelas”.

Despedida

Antes de encerrar, agradeço a Valéria Altoé pela amizade e parceria que desenvolvemos entre o Festival e o Clube de Jazz ao longo desse ano. Um carinhoso abraço para Marilda Lyra na Assessoria de Comunicação e à equipe formada pela jornalista Bianca Torres e pelo assistente de produção Leonardo Altoé. Por último a todos os auxiliares, com destaque para “Seu Odo”, que me conduziu do teatro ao hotel, com muito humor e paciência. No mais, fica no ar o meu desejo que a décima edição seja mais uma vez a celebração de amizade regada a muito jazz.

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