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Fabiano Araújo, pianista com muita criação e arte

Para essa entrevista foi convocado um dos maiores e recentes talentos do jazz brasileiro: o pianista capixaba Fabiano Araújo, que acaba de lançar seu cd-dvd "O Aleph". O contato com Fabiano é f.araujo.music@gmail.com

30/11/2007 - Wilson Garzon

Wilson Garzon - Fale um pouco sobre sua formação musical.
Fabiano Araújo - Estudei piano durante um ano com o Prof. Wilson Curia em São Paulo. Depois disso ingressei no curso de Música Popular do Instituto de Artes da UNICAMP, onde tive aulas com Ano von Buettner, Hilton Valente (Gogô), Almeida Prado, José Roberto Zan. Durante o período da Faculdade de Música, trabalhei como tecladista no Rio de Janeiro com Celso Fonseca – que foi meu grande mestre na música pop – Daúde, e em São Paulo com o bluesman André Christóvam.

Depois da Faculdade, fui morar no Rio, onde trabalhei muito em estúdio. Gravei faixas do cd “Programa” de Lulu Santos, trabalhei com o cantor Léo Maia. Toquei com vários artistas dos anos 80 em um grande projeto da Oi no morro da Urca. Depois disso tudo, em 2003, troquei minha residência para Vitória para iniciar uma nova fase que resultou na concretização do meu álbum “O Aleph”, e na conclusão do meu mestrado sobre Schoenberg e o Calendário do Som de Hermeto Pascoal, na Escola de Música da UFMG, em Belo Horizonte.

WG - Como e quando o jazz apareceu na sua vida?
FA - Como a maioria dos garotos da década de 80, eu era roqueiro, mas não encontrava espaço para o meu instrumento nesse estilo. Meu grande amigo Jean Pierre me apresentou o Jazz. Fiquei semanas ouvindo os discos, mas só percebia os pratos (rsss…) Fui auxiliado por um excelente vendedor de discos, o Rubinho:
– Rubinho, quero conhecer jazz, o que você recomenda.
– Escolha dentre três fases: Errol Gardner (tradicional), Thelonious Monk (tradicional e moderno, talvez o mais moderno de todos!) e Michel Petrucciani (jazz moderno).
Comprava três Lps por semana. Em pouco tempo tinha preciosidades de Bill Evans, Chick Corea. Mas tudo sem muito frenesi.

Fui pra São Paulo comprei um livro que mudou minha vida, “The Jazz piano Book”. Naquela época não era fácil conseguir essas coisas! A Orquestra de Jazz da Escola Técnica também foi fundamental para a aplicação do que aprendia. Logo descobri que estudar música era muito bom, então saí do meu quarto ano de Engenharia Civil para ir pra São Paulo. Culpa do jazz…rsss. Tive um grupo muito bom em Campinas chamado Quinteto Jabaculê. Muito brasileiro e contemporâneo.

WG - A experiência de tocar nas turnês complementou o seu lado erudito e acadêmico?
FA - Não diria dessa forma, mas sim que complementou minha formação como produtor e artista. De como direcionar minha carreira, de dar forma de produto artístico às minhas idéias e nem por isso abandonar sua essência. Conheci o show business, seus vários processos e personagens, e com isso agreguei mais um elemento para amadurecimento e desenvolvimento do meu produto final que é o meu álbum O Aleph.

WG - Da idéia ao fato, quanto tempo demorou o processo do seu cd "Aleph"?
FA - A idéia surgiu em 2003 e ficou pronta em 2007: foram quatro anos. O álbum contém um DVD com um documentário da produção. Detalhes dos arranjos, planos e contra-planos das performances. Um belo trabalho dirigido por uma dupla de alta sensibilidade William Sossai e Hugo Reis. O longo tempo de produção está ligado aos intervalos entre as sessões que exigiam um aparato grande de disponibilidade de tempo e logística, pois eram feitas em diferentes cidades. O CD foi masterizado em Nova York em fita no PureMix por Fab, onde foi finalizado o último cd de Avishai Cohen.

WG - Qual é o conceito musical que está por trás de "Aleph"?
FA - No conto de Jorge Luís Borges, O Aleph é o ponto onde pode-se ver todas as coisas. Dentro circo, representado na capa, pode-se encontrar coisas alegres, singelas, terríveis, solenes… A composição musical, no meu ponto de vista, se serve muito bem desse profundo conceito que é o Aleph. A trama está desenhada desde a forma das músicas até a ordem das músicas. O conteúdo das formas é um conjunto de personagens representados e adornados por motivos e timbres. O ouvinte pode a partir disso, interpretar qualquer coisa.

WG - Descreva o seu trabalho com o Baobab Trio.
FA - No Baobab trio eu toco piano acústico, Wanderson Lopez toca violão e viola caipira. Edu Szajnbrum toca bateria e percussão. A função do baixo é desempenhada pelo três componentes de forma bem sincopada proporcionando um swing único. Interpretamos com arranjos originais, peças de Guinga, Radamés Gnattali, Baden Powell, João Donato, Egberto Gismonti e Quarteto Novo. Nosso CD sera lançado em 2008 sem falta. No CD “O Aleph”, o trio está inserido dentro do sexteto na maioria das musicas, mas pode ser ouvido na faixa 01/01/2000, e no videoclip que esta no DVD que acompanha o CD e no www.myspace.com/fabianoaraujo.

WG - A música instrumental brasileira tem futuro?
FA - A música instrumental brasileira é o futuro.

WG - Quais são seus próximos projetos?
FA - Estou produzindo um novo trabalho em Quarteto com os arranjos desenvolvidos no meu trabalho de mestrado onde as peças do Calendário de Som de Hermeto Pascoal sob a perspectiva da teoria harmônica schoenberguiana. Esse trabalho está nas bibliotecas da UFMG e UNICAMP, e estou trabalhando para publicar. Também em 2008 assino pela primeira vez, um artista de MPB, o compositor Álvaro Gribel. Esse trabalho mostra minha faceta de produtor e arranjador. Wanderson Lopez, violonista do Baobab, assina alguns arranjos em parceria.

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