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Sugestões para Dezembro

Para dezembro, uma salada sofisticada que reune iguarias sonoras distintas, como Lalo Schfrin, Fábio Fonseca, Marcos Paiva e Flávio Guimarães.

Wagner Tiso, Lalo Schfrin, JJ Johnson &Kai Winding, Spanish Harlem Orchestra, Fábio Fonseca, Marcos Paiva, Cia Estadual de Jazz e Flávio Guimarães

04/12/2007 - Wilson Garzon

Wagner Tiso - Da sanfona à sinfônica

Multifacetário, rigoroso, plural, e, sobretudo, exigente de uma cumplicidade entre ele e a obra para um trabalho bem feito. Maestro, arranjador, pianista e compositor, o mineiro Wagner Tiso desdenha preconceitos. É admirador da quebra de paradigmas na música e do envolvimento do popular com o clássico. Tem como referência Heitor Villa-Lobos e sua peregrinação pelo Brasil para colher ritmos populares e dar um tempero erudito. É, como a essência de Villa-Lobos, o que Tiso vem realizando desde 2004 com a série MPB&Jazz, em que repertórios de músicos consagrados da música brasileira ganham uma roupagem sinfônica. Em agosto deste ano, ele estreou o projeto em São Paulo. ( Pedro Henrique França, Estado de São Paulo, 16/11/2007)

Mineiro dos mais discretos, apesar da aparente redundância, o compositor, arranjador e pianista Wagner Tiso comemora suas quatro décadas de carreira com uma luxuosa caixa de 4 CDs - Da sanfona à sinfônica – 40 anos de arranjos (Universal, 2007) -, no qual relembra alguns dos melhores momentos de sua faceta de arranjador. Afinal, o homem que integrou os grupos Sambacana e Som Imaginário, e que assinou trilhas de filmes como Inocência (1981) e A ostra e o vento (1997), esteve ao lado de artistas dos mais diversos, desde Cauby Peixoto até Paulo Moura, passando por Maysa, Gonzaguinha, Engenheiros do Hawaii, Flora Purim e o grande amigo Milton Nascimento. Divididos em blocos, os quatro CDs são intitulados Manto das estrelas, Na batuta do sucesso, Futuro do pretérito e Veredas. (Dafne Sampaio, Gafieiras, 23/11/2007)

Lalo Schfrin - There’s a whole Lalo Schifrin goin’ on (1968)

Para quem curte experimental orquestral, essa é uma bela opção. “There’s a whole Lalo Schifrin goin’ on” nasceu em 1968 na Dot Records, produzido por Tom Mack. Deliciosamente psicodélico, da capa ao conteúdo, muitos pensavam que jamais seria relançado em CD. Lalo barbariza do início ao fim, nos solos de sintetizador (“Secret code”), piano acústico (“Vaccinated mushroms”), órgão Hammond (“Life insurance”) e nos arranjos alucinantes para “Life insurance”, “The gentle earthquake”, a bacanal-vocal de “Machinations” e o clima de fanfarra-épica de “Hawks vs. Doves”, encaixando gritos das torcidas.

Apesar da atmosfera lisérgica predominante, há espaço para a calmaria não-soporífera de “Dissolving” (somando acordeon, cravo e cordas), “Two petals, a flower and a young girl” (levada no assobio) e a bossa renascentista “How to open at will the most beautiful window”, com Shelly Manne na batera, Max Bennett no baixo e Dennis Budimir no violão. Três músicas que tocaram muito, durante os anos 70 e 80, na antiga JB-FM, cuja programação easy-listening era feita por Célio Alzer, titular do “Jazz & blues” na JB-AM e hoje renomado enólogo.(Arnaldo DeSouteiro)

Kai Winding & JJ Johnson - The great Kai & J.J. (1960)

Fundado por Creed Taylor como subsidiário da ABC-Paramount, o lendário selo Impulse! tem grande parte de seu catálogo disponível no Japão. E o melhor de tudo: no formato de “minature LP gatefold sleeve”, ou seja, capas-duplas iguaizinhas àquelas dos vinis originais, reproduzindo fielmente todas as fotos e textos. O álbum de estréia do selo, “The great Kai & J.J.”, número de catálogo AS-1, marcou a retomada da colaboração (iniciada em 1954) entre os dois melhores trombonistas daquela época, hoje confirmados entre os cinco melhores de todos os tempos.

Entretanto, graças à rabugice preconceituosa dos puristas que taxaram o disco de “comercial”, caiu no esquecimento durante algum tempo. Hora de reabilitá-lo, pois. Bill Evans toca piano em todas as onze faixas. Na sessão inaugural, registrada no estúdio de Rudy Van Gelder em 3 de outubro de 1960, Paul Chambers e Roy Haynes participam de “This could be the start of something“, “Georgia on my mind”, “Blue Monk”, “Side by side” e “I concentrate on you”. Das outras seis músicas, gravadas em 4 e 9 de novembro, Tommy Williams e Art Taylor assumem respectivamente o baixo e a bateria, contribuindo para interpretações irretocáveis de “Alone together” e “Theme from Picnic”. (Arnaldo DeSouteiro)

Spanish Harlem Orchestra - United We Swing

Pode ser bom o som de uma orquestra de salsa baseada em Nova York? A Spanish Harlem Orchestra é um belo exemplo de que música, seja qual for o estilo, pode ser bem-feita em qualquer lugar -a banda "brasileira" Forró in the Dark é outro exemplo de que gringo tem lá sua ginga. Liderada pelo pianista e produtor Oscar Hernández, a SHO mescla sonoridades contemporâneas e clássicas em composições próprias e emprestadas de gente como Paul Simon -dispensável. O terceiro CD da orquestra tem um clima contagiante, com letras saborosas, interpretadas em bom espanhol por Ray de la Paz. Metais e percussão marcam o compasso de músicas que empolgam até quem não é fã de música latina. Destaque para "Sácala Bailar". ( Adriana Ferreira Silva, Folha de S. Paulo, 16/11/2007)

Fábio Fonseca – Opus Samba

Opus Samba” é o quarto álbum-solo da carreira de Fábio Fonseca e o primeiro instrumental, que teve uma estratégia de lançamento mundial pelo selo JSR, arquitetada pelo seu produtor Arnaldo DeSouteiro. A primeira música a ser gravada, em abril de 2006, foi “Samba da Copa”, parceria de Fábio com Arnaldo e Pedro Leão, feita sob encomenda para o cd “A Trip To Brazil Vol.5: Copa do Mundo 2006”, da Universal. As músicas foram gravadas de forma espontânea, pois o que interessa era justamente captar o momento onde acontece a interação dos músicos.

Todas as músicas são de Fábio Fonseca, exceto "Cochise" do Ray Santos, sucesso do Tito Puente e "Too High", do Stevie Wonder. Os sidemen são o baixista Pedro Leão, que entrou para o Fabio Fonseca Trio em 1999, quando começou as gravações do que viria a ser o álbum "Tudo" de 2002, lançado pela Trama; o baterista Mac William é mais antigo no trio, tocando desde a época dos shows do álbum "Tradução Simultânea" em 1992, lançado pela Philips. (Wilson Garzon)

Marcos Paiva – São Mateus

Marcos é uma das maiores revelações de sua geração e tem como característica marcante de sua sonoridade a atenção ao todo, a colocação do contrabaixo em prol muito mais da musicalidade do que de um exibicionismo individualista. MP6, o grupo que toca as seis faixas do álbum, é formado por Rubinho Antunes (trompete), Emerson Will (trombone), Cássio Ferreira (sax-alto e soprano e flauta), Edson Sant’Anna (piano), Daniel de Paula e é claro, Marcos Paiva (baixo acústico) que também assina todas as músicas. O álbum São Mateus de Marcos Paiva e MP6 é música 100% instrumental, mas antes disso é uma trilha, um caminho ininterrupto que parte de uma mítica São Mateus, na periferia de São Paulo, mergulha em si mesma, numa caverna antiplatônica e daí emerge para poder, a partir do reconhecimento da própria escuridão para buscar a luminosidade.

Para degustação, destaco duas músicas: “São Mateus”, é uma alusão a um bairro periférico da grande São Paulo. O que ouvimos inicialmente são comentários ágeis, quase desconexos, percussivos. São uníssonos coletivos que prontamente são respondidos por instrumentos individuais: está estabelecido o caráter dessa interação. “Caverna” é uma canção prospectiva, sempre pensada à frente pouco se importando com o que passou momentos antes. Agora o solo é de Rubinho Antunes que vem com força e imprevisibilidade. A sonoridade do baixo acústico nos leva a vislumbrar uma influência do músico norte americano Charlie Haden. (Guga Stroeter)

CEJ – Via Bahia

A CEJ - Companhia Estadual de Jazz é um quinteto formado por Sergio Fayne no piano, Guilherme Vianna no sax tenor e flauta ; Fernando Clark na guitarra , Chico Pessanha na bateria. e Reinaldo (aquele do Casseta & Planeta) no contrabaixo. O grupo está lançando seu novo cd, com o título Via Bahia. O disco contém algumas jóias da música brasileira que, por algum motivo, tenham a ver com a Bahia. Desde A Lenda do Abaeté, do Dorival Caymmi e Mestre Bimba (do Tamba Trio, em homenagem ao mestre capoeirista baiano) até o samba Falsa Baiana, de Geraldo Pereira, tocado em forma de salsa (Salsa Baiana). Vem também com uma composição original do guitarrista Fernando Clark (Pra Todos os Santos), especialmente composta para este CD.

Segundo o contrabaixista Reinaldo: “O disco foi todo gravado em estúdio (no Estúdio do Horto) mas a gente queria que o som ficasse tipo ao vivo, como numa jam session , num bar qualquer, e o melhor é que ela contou com participações muito especiais:
1) o saxofonista Jean-Pierre Zanella (um dos maiores músicos do Canadá, e provavelmente o que mais entende a música brasileira);
2) o grande Paulinho Trompete que, por acaso, aqui aparece tocando flugelhorn e trombone de pisto, deixando um pouco de lado o seu sobrenome artístico;
3) o impressionante gaitista Gabriel Grossi, que inspirado por Maurício Einhorn, é uma garantia de que a gaita de boca vai continuar por muito tempo aí nas bocas e
4) o sensacional percussionista Don Chacal, que já tocou com todo mundo, de Azymuth a Paul Simon, e agora está aqui dando aquela força pra nós, simples mortais da Companhia Estadual de Jazz”. (Material de divulgação do cd)

Flávio Guimarães – Vivo
Com vinte anos de carreira e a maior discografia do blues brasileiro – cinco álbuns solo e dez com o Blues Etílicos – o gaitista e vocalista Flávio Guimarães lança seu novo cd, o primeiro só com execuções ao vivo. O álbum é uma homenagem ao bluesman Charlie Musselwhite, que Flávio e sua banda acompanharam em turnê brasileira em 2006. O próprio Musselwhite participa cantando e tocando violão na faixa “Darkest Hour”. A banda-base de “Vivo” é formada por Flávio Guimarães (vocal e harmônica), Otávio Rocha (guitarra e slide), Beto Werther (bateria) e Ugo Perrota (baixo), com participações de Toni Botelho (baixo em “Blue Stu”) e ndré Tandetta (bateria em “Blue Stu” e “Darkest Hour”).

Outro convidado de Flávio é o também gaitista Peter Madcat, recente premiado no Grammy. Madcat acaba de incluir em seu novo CD uma composição em parceria com Flávio e o percussionista Sérgio Paes, em ritmo de maracatu. Blues contemporâneo ou “House Rockin’ Blues” como se costuma dizer nos Estados Unidos, é o estilo mais presente no trabalho, que conta também com a jazzística “Blue Stu”, de Robben Ford e duas faixas acústicas gravadas ao vivo em estúdio. (Material de divulgação do cd)

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