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Sugestões para Junho

Em período de entressafra, as opções apontadas pelo Clube de Jazz são todas nacionais: o cantor underground Renato Godá, o quinteto Trombonada, o incrível duo formado por Guinga e Paulo Sérgio Santos e dois dvds da Rob Digital, "Brasileirinho e da Rio Jazz Orquestra.

03/06/2009 - Wilson Garzon

Renato Godá - Renato Godá

Renato Godá é um escritor de músicas românticas, no sentido gauche da vida. Um cantor que leva ao palco a atmosfera esfumaçada de um cabaré onde o jazz, o folk, o gipsy e a chanson francesa convivem entre a elegância e a vulgaridade. Seguindo o estilo despretensioso de Godá, a gravação das sete faixas autorais do curto álbum aconteceu em dois dias de estúdio, tocadas ao vivo, apenas como registro de um novo repertório. Os músicos não conheciam as canções previamente e tiveram de improvisar.

Os figurinos de seus shows remetem às melhores épocas da cena jazz de Nova York, os instrumentos acústicos (piano, acordeom, contrabaixo, banjo, violino, bateria e guitarras) e as referências musicais de Renato Godá estranhamente parecem soar como novidade nos dias de hoje. “Como compositor gosto de andar na corda bamba entre o brega e cult”, diz Godá, que assume as influencias musicais de Leonard Cohen, Serge Gainsbourg e da musica cigana do Leste Europeu. Mas acrescente-se um look e um estilo de Tom Waits, bem visível na caricatura da capa do cd.

“Não faço cerimônia/Não Sou um bom Partido/Tendo para os vícios/ Posso causar desgosto/Sou um pervertido /Livre leve e solto/ Um vagabundo astuto/ Um vira-lata escroto”. Dessa forma descarada, Godá se apresenta na faixa “Bom Partido” do disco homônimo que acaba de lançar pela gravadora Rob Digital. As outras canções são: “Kamikaze”, “Outro Cigarro”, “O Que Você Quer Eu Não Sei”, “Em Suas Mãos”, “Démodé” e “O Mapa Do Meu Mundo”

A Trombonada – De Madrugada

Por iniciativa de Nilsinho Amarante, 1º trombonista da Banda Sinfônica da Cidade do Recife, o grupo surgiu em 2005. Com a proposta de difundir a música para o trombone e popularizar o mesmo, Amarante convidou quatro trombonistas a embarcar no projeto: Cléber Silva, Esli Lino, Adelson Lins e Jorge Guerra . O resultado é uma música que caminha entre o popular e o erudito, o escrito e o improvisado, expressando as diversas possibilidades interpretativas que o trombone pode oferecer. Ao longo de seus cinco anos de existência, o quinteto foi ganhando destaque na cena musical do país. Logo em seu início foi apadrinhado por um dos artistas mais criativos da atualidade, o pernambucano Silvério Pessoa.

O disco, gravado e mixado no Estúdio Carranca, em Recife, nos meses de novembro de 2007 e abril de 2008, tem 12 (doze) faixas do mais alto nível e conta com a participação especial de vários músicos da mais elevada categoria: Gilberto Cabral, Serginho Trombone, Genaro, Maestro Spok, Naná Vasconcelos, Fabinho Costa, Bocato, dentre outros. De Madrugada, música que abre o disco, brinca com a questão dos estilos transitando naturalmente da orquestração mais tradicional ao ska, visitando também o maracatu. As latinidades vêm à tona em “Caribe” com os trombones hamonizando em cânone alicerçados pela seção rítmica convidada e abundante em belos improvisos. Contudo, o ponto mais alto do disco é sem dúvida “Baião para a Trombonada”, música composta e arranjada por Nilson Lopes. De uma riqueza melódica incomum, cheia de contrapontos e outros recursos da orquestração erudita, a composição induz o ouvinte a “sentir” o baião já que não há instrumento rítmico para marcar suas acentuações características. O resultado é sublime.

Guinga & Paulo Sérgio Santos - Saudade do Cordão

O compositor e violonista Guinga toca há muito tempo com o clarinetista Paulo Sérgio Santos, que ele coloca entre os melhores do mundo: “Benny Goodman perde”, brinca ele, lembrando que conheceu Paulo há mais de 20 anos, em rodas de choro, tocando com o saudoso Raphael Rabello. “Quando vi o duo Paulo e Raphael, disse pra mim: Tudo que eu quero na vida é fazer com este clarinetista, pela minha música, o que eles estão fazendo pela música brasileira.” E depois de 16 anos tocando pelo Brasil e pelo mundo, eles acabam de gravar seu primeiro cd e dvd juntos: Saudade do Cordão (Biscoito Fino), só com músicas compostas por Guinga. “Esta foi a gravação mais ensaiada da história,” lembra Paulo.

“Dezesseis anos de ensaios,” para oito dias de gravação no Vale da União, em Araras, Petrópolis, em setembro de 2008. Sucessos e duas inéditas compõem o repertório, com participações especiais do baterista Jurim Moreira e do cantor/compositor Lenine, destaque da única faixa cantada do trabalho: Saci, de Guinga e Paulo César Pinheiro.

O cd foi produzido por Mario de Aratanha, e o dvd dirigido por ele e Jeanne Duarte. A direção musical é de Paulo Sérgio Santos e a direção de fotografia é de Fernando de Aratanha, recém chegado da Califórnia. Entre os sucessos estão “Cheio de Dedos”, “Cine Baronesa”, “Catavento e Girassol”, “Senhorinha”, “Baião de Lacan”, “Saci” e outras. O “Côco do Côco” e “Destino Bocayuva” (esta dedicada ao Paulo, criado em Quintino) nunca tinham sido gravadas por Guinga. E as inéditas são “Saudade do Cordão”, que deu título ao trabalho, e “Porto da Madama”, feita ano passado.

Rio Jazz Orquestra - A Alma de uma Orquestra

Os bastidores da única orquestra de jazz permanente do país é o tema do documentário “A Alma de uma Orquestra”, produzido pelos alunos de cinema e de produção fonográfica da Universidade Estácio de Sá. O DVD é o primeiro da Coleção Música da Estácio Filmes e conta com a participação de personalidades como Miele, Danilo Caymmi, Leo Gandelman, Roberto Menescal, Victor Biglione, entre outros.

Dividido em duas partes, uma documental e outra musical, o longa-metragem mostra os bastidores e as duras rotinas dos ensaios, permeando a trajetória da Rio Jazz Orchestra com a vida de Marcos Szpilman. “O filme é importante para documentar um projeto que existe há muitos anos e que ainda hoje se mantém atuante.”, acredita Szpilman. No repertório, “Moonglow”, “Georgia on my mind”, “Blue Moon”, “Stardust”, “As Times goes by”, “The Song is You” e “You stepped out of a dream”, entre outros standards de jazz.

Brasileirinho – Trio Madeira Brasil, Paulo Moura, Yamandú Costa e Outros

Durante uma típica roda de choro, os integrantes do Trio Madeira Brasil propõem aos outros músicos a realização de um grande concerto para comemorar o Dia Nacional do Choro (23 de abril, nascimento de Pixinguinha). Ao longo das gravações, o diretor Mika Kaurismäki se encontra com alguns dos artistas convidados para o show e revela suas histórias de vida, seus talentos, suas relações com a música. Aos poucos, é a história do próprio Choro que surge nos depoimentos e lembranças desses compositores e intérpretes.

O filme é dividido em duas partes: uma delas, mais documental, mostra apresentações de rodas de choro em diversos ambientes do cenário carioca. A outra parte acompanha a montagem e realização do concerto idealizado pelo Trio Madeira Brasil e produzido especialmente para o filme no dia 04 de maio de 2004 no Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, RJ. Durante o evento, o Trio divide o palco com alguns dos mais influentes músicos contemporâneos, como Yamandú Costa, Paulo Moura, Zé da Velha e Silvério Pontes, Marcos Suzano, Jorginho do Pandeiro, Maurício Carrilho. Além disso, recebe Elza Soares, Teresa Cristina, Guinga e Zezé Gonzaga para participações especiais.

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