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Sugestões para Setembro
Lançamentos
Nesse começo de mês, o Clube de Jazz recomenda três cds lançados pela gravadora Rob Digital: Daniel Santiago, Jane Duboc & Victor Biglione e Marcel Powell. E os independentes que chegam através de Rodica Blues e o trio Curupira.
04/09/2009 - Wilson Garzon
Daniel Santiago - Metrópole
Apontado como uma das grandes revelações do cenário instrumental brasileiro, o violonista, guitarrista, compositor e arranjador Daniel Santiago lança o seu primeiro CD no Brasil, Metrópole, pela gravadora Rob Digital. O repertório de Metrópole apresenta uma sonoridade muito particular, traduzida em um conjunto de melodias refinadas, desenvolvidas por instrumentistas criteriosamente escolhidos por Daniel, responsável também pela produção musical do disco. Os arranjos valorizam a participação de todos os instrumentos, que, por sua vez, cumprem um papel especial no desenvolvimento harmônico de cada tema. Participam desse trabalho os músicos Vitor Gonçalves (piano), Guto Wirtt (contrabaixo), Josué Lopez (sax), Edu Ribeiro (bateria) e Márcio Bahia (bateria). Atualmente, Daniel Santiago integra o quinteto “Brasilianos”, junto com Hamilton de Holanda.
Abaixo o músico e comenta algumas faixas do CD:
Cidade Velha - Foi composta depois de uma viagem que fiz à Jerusalém. Tem um ritmo original que lembra uma escola de samba frenética, com melodia e harmonia influenciadas pela música contemporânea, além de improvisos jazzísticos;
Na Chuva – Pode-se notar tanto a influência da música mineira como do jazz contemporâneo nesta composição. Suas mudanças de compassos e frases em uníssono do contrabaixo com piano criam uma melodia simples e profunda;
Samba Gregoriano - É um samba peculiar, com influências que vão do samba a música sacra, com uma linha de baixo fazendo contraponto com a guitarra e o sax, tocando em quartas paralelas e
Metrópole - Essa música tem uma atmosfera densa e agitada por conta de seu compasso influenciado pelo rock e pelo jazz contemporâneo. Tem como característica o modo da menor harmônica.
Jane Duboc e Victor Biglione - Tributo a Ella Fitzgerald
A cantora Jane Duboc e o guitarrista Victor Biglione prepararam um tributo ao cancioneiro jazzístico norte-americano em um disco com músicas que fizeram sucesso na voz da inesquecível Ella Fitzgerald. O trabalho é uma forma de retribuição ao prestígio e reconhecimento que Ella deu aos compositores da bossa nova. Lançado pela Rob Digital, o CD Tributo a Ella Fitzgerald apresenta uma simbiose entre a música brasileira e o jazz americano, evidenciando a riqueza rítmica de nosso país.
O repertório de Tributo a Ella Fitzgerald traz músicas que foram eternizadas na voz da cantora, como “Nigth and Day” (Cole Porter), presente no CD Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook (1956), “April in Paris” (Vernon Duke, E.Y.Harburg), do clássico Ella and Luis (1956), e “Someone to Watch Over Me” (George Gershwin, Ira Gershwin), do álbum Pure Ella (1950), considerado por muitos o melhor momento da carreira de Ella. Além destas, o disco não poderia deixar de trazer uma canção de Tom Jobim, compositor interpretado inúmeras vezes pela artista. A música escolhida foi “Bonita”, escrita em parceria com Ray Gilbert.
Rodica Blues – Do Mississipi ao São Francisco
O título do disco remete ao “encontro” entre dois países, representado por dois rios de muito significado: O Rio Mississipi e o Rio São Francisco. Ambos são rios que atravessam território nacional e representam, de certa forma, a identidade coletiva de um povo. O Rio Mississipi remete à origem do Blues. A intenção é valorizar a relevância destes precursores que contribuíram para criar o gênero blues e que tem uma ligação direta com a África. E tento mostrar também que o som, a linha melódica do blues remete às canções mais antigas do povo afro-brasileiro: o congado, principalmente. Assim, nesta viagem que ultrapassa as fronteiras culturais, chegamos ao São Francisco. (Rodica Blues).
O primeiro disco da artista norte-americana, radicada no Brasil há 11 anos, traz canções de Rodica e parceiros, além de canções tradicionais afro-americanas chamadas de “spirituals”, a expressão mais originária do blues. Com concepção e direção artística de Rodica Blues e Sérgio Pererê e direção musical e arranjos de Rogério Delayon, o álbum conta com participações especiais do gaitista e cantor paulista Vasco Faé, do cantor e percussionista Sérgio Pererê (MG) e da cantora Titane (MG). No repertório: Death Letter (Son House), Queen Bee (Rupert Holmes/ Taj Mahal), Variante (Edvaldo Santana), Wade in a Water (Vinheta - Tradicional), Testimony (Ferron)/ Corre o Rio (Sérgio Pererê), Oração para Oxum (Tradicional/ Rodica Blues), Kothbiro (Ayub Ogada)/ Deep River (Tradicional), Seven Days (Rodica Blues), Niger Blues (Markú Ribas), Wade in a Water (tradicional), Swing Low, Sweet Chariot (tradicional), People Get Ready (Curtis Mayfield), Motherless Child (Rodica Blues) e Hard Working Blues (Vasco Faé) / Come on in my kitchen (Robert Johnson e John William Mark Renbourn).
Curupira - Pés no Brasil, Cabeça no Mundo
Gravado em 2008 e lançado independente no Brasil, com o patrocínio da LINC de Sorocaba e lançado na Argentina pela MDR Records, tem a participação especial de Vinícius Dorin. Projeto que começou a ser idealizado no ano de 2004, "Pés no Brasil" é um cd que se difere dos demais por ser composto apenas de arranjos de grandes compositores brasileiros, uns bem conhecidos, como Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Cartola, Ary Barroso e Luiz Gonzaga; e outros menos conhecidos mas tão geniais quanto, como Itiberê Zwarg, Natan Marques, Carreirinho e Luiz Guimarães. A intenção do Curupira é mostrar como soa a sua linguagem musical por trás de melodias conhecidas. Clássicos como “Na Baixa do Sapateiro”, “Assum Preto” e “As Rosas não Falam”, fazem parte desse repertório.
O Curupira nasceu, em meados de 1996, de um feliz encontro de ideais e afinidades de seus integrantes: André Marques (pianista do grupo de Hermeto Pascoal, desde 1994), Fábio Gouvêa (que entrou em 2002, no lugar do baixista Ricardo Zohyo, que estava no grupo desde sua fundação) e Cleber Almeida. Determinados a desenvolver um trabalho diferenciado, fruto de pesquisas musicais e culturais, tendo por base a genuína música do Brasil, eles percorrem todos os ritmos e eliminam qualquer fronteira entre estilos.
Marcel Powell - Corda com Bala
Após o sucesso de Aperto de Mão, lançado em 2005, o violonista Marcel Powell inicia nova fase em sua carreira e apresenta Corda com Bala, produzido e distribuído pela Rob Digital. Gravado em trio, com Sandro Araújo na bateria e André Neiva no baixo, Marcel explora seu virtuosismo em ritmos como samba, baião, jazz e choro. O repertório inclui três faixas solo, com destaque para a obra autoral Lamento Fluminense e para a inédita Um abraço no Trio Elétrico, composta por Baden para o bandolinista Armandinho.
Com arranjos de Marcel, Corda com Bala teve o repertório selecionado pelo músico, em parceria com o guitarrista Victor Biglione, que assina a produção musical do disco. Além de duas músicas inéditas, o CD traz, entre outras, “Cry me a River”, de Arthur Hamilton, sucesso na voz de Diana Krall; “O Morro Não Tem Vez”, de Tom Jobim; o medley “Lamento Sertanejo”, de Gilberto Gil e Dominguinhos; “Feira de Mangaio”, de Sivuca e Glória Gadelha; “Serra da Boa Esperança”, de Lamartine Babo e “Essa Mulher”, de Joyce e Ana Terra.
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