clube de jazz  
 
agenda notícias store
 
o jazz jazz brasil ao vivo galeria
 
 
colunas
perfil
eventos
lançamentos
entrevistas
acorde final
 

Madeleine Peyroux sings Billie Holiday

Em entrevista à jornalista Mariana Peixoto do Estado de Minas, a cantora de jazz Madeleine Peyroux fala da sua relação com a diva Billie Holiday. Peyroux, junto com uma big bigband irá se apresentar no Festival Tudo É Jazz (Ouro Preto) no dia 19/09 e no Festival I Love Jazz (Belo Horizonte), no dia 21/09.

Billie Holiday e Madeleine Peyroux (foto: William Gotlieb (1) e Christoph Otto (2))

15/09/2009 - Mariana Peixoto, Estado de Minas, 15/09/2009

A escolha de Madeleine Peyroux para protagonizar o tributo a Billie Holiday é óbvia. No início da carreira, a cantora norte-americana que havia descoberto a música em Paris foi rapidamente chamada de “a nova Billie Holiday”. O tempo e os trabalhos posteriores revelaram a voz própria de Peyroux, que, em seu mais recente trabalho, Bare bones (2009), dedicou-se a repertório essencialmente autoral. Ao ser convidada para o tributo, a cantora deixou claro que não queria ter toda a responsabilidade. Foi chamada também Mart’Nália, que interpretará algumas canções.

Diretor musical do tributo, Oded Lev-Ari chega amanhã ao Brasil ao lado dos outros músicos que vão participar do show. Somente aqui o grupo completo tocará o repertório que ganhou arranjos de Lev-Ari. Serão quatro ensaios até o primeiro show, sábado. “Tanto eu quanto os músicos conhecemos muito bem o repertório de Billie Holiday. Se você observar o corpo do material que ela gravou, verá que cada música importante do período em que viveu foi registrada. Também escolhemos músicas que acreditamos terem ganhado suas versões definitivas na versão dela. Don’t explain, por exemplo, sempre foi muito identificada pelo registro de Billie Holiday. Há ainda canções que não são superconhecidas, mas que estão entre as favoritas dos integrantes do grupo”, explica ele.

Nas últimas semanas, Lev-Ari encontrou-se muitas vezes com Madeleine Peyroux para a definição do repertório. “Respeitamos bastante as canções e não necessariamente tentamos recriá-las. Isso fica claro pela escolha das cantoras que vão interpretá-la. Madeleine tem estilo próprio, ela ouviu muito Billie Holiday, mas são gravações de 50, 60 anos atrás. E Mart’Nália não é uma escolha óbvia, mas quando a ouvi pela primeira vez imediatamente reconheci que ela tem uma maneira muito pessoal de se expressar. Isso, para mim, é algo que atravessa fronteiras dos estilos musicais.” Também em entrevista ao Estado de Minas, Madeleine Peyroux fala sobre esse projeto e sobre a influência que a obra de Billie Holiday exerceu em sua carreira. Confira alguns trechos:

Mariana Peixoto - Quando houve o convite para o tributo a Billie Holiday, o que passou pela sua cabeça, já que seu nome no início da carreira esteve muito relacionado ao dela?
Madeleine Peyroux - Fiz questão de deixar claro que não sou uma artista milagrosa e que não poderia fazer um bom trabalho sem um time de ótimos músicos. Passei bastante tempo com Oded (Lev-Ari, diretor musical do projeto) discutindo o repertório. Num primeiro momento, achei que deveria haver um grande número de cantoras e de músicos num tributo a Billie Holiday. Sobre as cantoras, não houve como convidar, ainda mais para cantar somente uma música. Mas quando vi a banda que tinham formado vi que era perfeita, não só por ser um grupo de all-stars, mas também por serem os melhores músicos nos dias de hoje para esse concerto.

Mariana Peixoto - Quando foi a primeira vez que ouviu Billie Holiday?
Madeleine Peyroux - Era adolescente em Paris. Não queria sair de casa para aprender música e, para isso, queria deixar a escola. Como minha mãe não estava nada feliz com isso, tive que ficar em casa. Estava estudando guitarra com um amigo, que, por sua vez, estudava Freddie Green, o guitarrista-base. Esse amigo me disse para ouvir Lester Young (saxofonista e clarinetista) e ver como ele solava. Comecei a ouvir esses discos aos 14, 15 anos. Ouvindo disco que Billie gravou com a orquestra de Teddy Wilson, no início da carreira, percebi que as gravações poderiam me ajudar, com honestidade, a me encontrar na música.

Mariana Peixoto - Quais músicas de Billie Holiday você prefere?
Madeleine Peyroux - É uma questão difícil, tanto que eu e Oded passamos boa parte deste ano discutindo isso para o show. Adoro as canções de Billie que não falam somente de amor e romance, mas da vida de uma maneira geral. E as primeiras gravações dela, ainda na época do swing, são realmente felizes. Então, fizemos questão de incluir as diferentes fases no repertório. E há, é claro, bom volume das canções mais conhecidas dela.

Mariana Peixoto - Treze anos depois de Dreamland, seu primeiro álbum, incomoda quando alguém ainda chama você de “a nova Billie Holiday”?
Madeleine Peyroux - Não, é uma questão bastante simples para mim, já que tive tempo de amadurecer e de desenvolver minha própria música. Quando uma pessoa reage favoravelmente ou não a respeito do que faço, e Billie Holiday também falaria o mesmo que eu, o que posso dizer é que o meu trabalho é encontrar o meu próprio som e contar a minha história da maneira mais verdadeira possível. Vou continuar a fazer isso até que me digam para parar. No primeiro disco, a história de que eu soava como Billie Holiday ganhou um peso muito grande para várias pessoas. Hoje, acho que esse peso não é mais tão grande. São mais de 10 anos do primeiro disco, quase 20 desde que comecei a cantar e desde então não fiz nada além disso. Hoje é a época de realmente descobrirem o que posso fazer como artista e não somente como intérprete.


Em outubro

A Universal Music lança em outubro Somethin’ grand, DVD de Madeleine Peyroux. Gravado em janeiro em Los Angeles (dois meses antes do álbum mais recente, Bare bones, chegar às lojas), o show inclui canções de todos os seus álbuns, bem como bônus com versões acústicas para cinco canções, entre elas a faixa-título. O dvd traz ainda o documentário A portrait of Madeleine Peyroux, em que a cantora, bem como pessoas próximas a ela, fala de seu trajetória. Há trechos gravados em Paris, que relembram o início da carreira, em que Madeleine cantava nas ruas da capital francesa. O dvd chegará às lojas em 6 de outubro.

Topo da página | Envie a um amigo | Voltar para Entrevistas

 
copyright clube de jazz 2004  
cadastre-se   termos de uso   contato   sobre nós