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Celso Moreira, senhor violonista
Entrevistas
É sempre um honra poder entrevistar grandes artistas. Celso Moreira faz parte do olimpo dos violonistas mineiros, ao lado de Toninho Horta, Juarez Moreira e Chiquito Braga, entre outros. Ele nos fala sobre a sua formação musical e jazzística, os bares da vida e sobre o seu cd "Autoral" lançado recentemente.
Celso Moreira (1, 2 e 3), Juarez Moreira, George Benson & Celso Moreira e Cd Autoral.
04/11/2009 - Wilson Garzon
Wilson Garzon - Como foi sua formação musical? O violão foi seu primeiro instrumento?
Celso Moreira - Aos 11 anos já tocava bateria num grupo, que era formado pelo meu pai e seus amigos. Nessa época, nos anos 60, na cidade mineira de Ganhães onde nasci, tive contato com quase todos os gêneros musicais: bossa nova, bolero, chorinho, merengue, fox-trot, jazz, etc..., tocando nos bailes e festas que aconteciam pela cidade. Logo depois, formei um quarteto com o nome de Eagles (a banda de country-rock americana não existia na época), onde eu era o baterista e tocávamos muitas músicas dos Beatles e outras coisas do gênero.
Em 1968, mudei para Belo Horizonte para cursar o ginásio e científico; e como não podia tocar bateria no prédio onde morava (casa de minha querida avó, que aliás não se importava e sim pelo regulamento do condomínio), resolvi trocar de instrumento e acabei escolhendo o violão, não só porque gostava dele, mas também porque era o instrumento do meu pai e do tio.
WG - E o jazz, como surgiu no seu universo musical? Quais foram as primeiras influências?
CM - Desde a minha infância, já escutava muita música americana através dos discos do meu pai, Rivadávia Moreira, que aliás, era uma pessoa muito à frente do seu tempo. Ele sempre se preocupou em nos mostrar a música erudita, o chorinho, a bossa nova e o jazz. Naquele tempo, eu e meu irmão, o também violonista Juarez Moreira, já escutávamos Barney Kessell, Tal Farlow, Wes Montgomery, Luiz Bonfá, Baden Powell, Garoto, Stan Kenton Orchestra e muito mais.
WG - Quando foi que você decidiu tocar na noite de beagá? Com que formações e em que jazzclubs/bares?
CM - Desde sempre, eu toquei por necessidade e prazer pelos bares e jazzclubs de BH, pois esses são os melhores espaços para experimentar novas idéias e tocar o jazz ou dentro de um estilo jazzístico. O bar é um espaço para ensaiar o que se pretende tocar no teatro. Destaco dois trabalhos: um no final dos anos 90, no Café com Letras, onde toquei com Chico Amaral (saxofone), Jimmy Duchowny (bateria), Miltinho Ramos (baixo) e Ricardo Fiúza (teclados). Outro espaço foi o Café do Museu onde me apresentei com meu trio formado por Miltinho Ramos e o baterista André “Limão” Queiroz por mais de quatro anos.
WG - Quanto às atividades didáticas, há quanto tempo vc trabalha nessa área? Também escreve arranjos?
CM - Desde 1993, tão logo eu saí da PRODEMGE (companhia de Processamento de Dados de Minas Gerais) onde trabalhei por 17 anos. Quanto aos arranjos, quando sou procurado, aceito o desafio e os faço com muito empenho.
WG - Fale-nos sobre a batalha que foi gravar "Autoral", seu primeiro cd. Quem participou das gravações?
CM - A bem da verdade, não foi uma batalha, pois ele já estava formatado há anos. As composições são minhas, e como mineiro, fui compondo as músicas sem pressa e sem prazo ao longo dos anos. Quanto aos músicos, primeiro, o baterista André “Limão” Queiroz e com o contrabaixista Miltinho Ramos, com quem toco há pelo menos quinze anos; os tecladistas Cristiano Caldas e Ricardo Fiuza e o saxofonista Cléber Alves além de excelentes músicos são grandes amigos. Destaco também a participaão prá lá de especial de meu querido irmão Juarez Moreira. O cd foi gravado em 2007 na BEMOL, onde sou amigo do Ricardo, Vilma e Dirceu Cheib; lá eu tive a maior liberdade de ação, além de contar com a qualidade dos seus serviços.
WG - E quanto à internet, como você analisa a questão direitos autorais? Você disponibilizaria algumas músicas gratuitamente?
CM - Hoje, tudo gira em torno da internet e portanto, não tenho escapatória. Pretendo cada vez mais divulgar o meu trabalho e não vejo outra saída senão disponibilizar algumas músicas na internet e aumentar minha visibilidade como artista.
WG - E quanto aos próximos projetos, o que está em pauta para os próximos anos?
CM - Para divulgar o meu cd “Celso Moreira Autoral”, tenho agendado três shows: Belo Horizonte no Teatro Alterosa, Sabará e Nova Lima. As datas serão confirmadas dentro em breve, no início da semana que vém.
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