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Sugestões para o começo de 2010
Lançamentos
Nesse início de ano, a idéia é sugerir cds que foram lançados em fins de 2009. Como os trabalhos feitos pelo promissor saxofonista Henrique Band e pelo grupo de vanguarda Projeto B. E também destacar os lançamentos feitos pelo selo Biscoito Fino, abrangendo Tom Jobim, Francis Hime e o cubano Roberto Fonseca.
05/01/2010 - Wilson Garzon
Henrique Band - Caleidoscópio
"Eu poderia começar falando do excitante "Caleidoscopio", ou do denso maracatu "Marco Zero", ou ainda da seria brincadeira "Filhos de Bandhi"; belos temas, cheios de possibilidades de desenvolvimento. Mas o que acho importante agora e ressaltar essa rara capacidade de entrega e persistência, busca incansável de texturas, carinho com as composições e os resultados sempre elegantes.
Todas as faixas deste disco são bem cuidadas, cada uma com sua historia pessoal muito bem resolvida, como a sofisticada gafieira "Praça da Bandeira", a presença luxuosa do Gilson, com um solo lindo em "Saltando de Band", a profunda mostra de afeto ao filho ("Antonio"), e particularmente, uma bela homenagem ao nosso grande mestre Moacir Santos em "Con Sabor”
Os convidados chegam e acrescentam seus talentos ao que esta proposto pelos competentes arranjos, e pelos grandes músicos com que Henrique contou. Enfim, a música agradece a chegada deste novo trabalho que atesta por si próprio a grande dedicação desse músico falta dizer que me sinto honrado de estar fazendo parte do rol de amigos que contribuiram para realizar este sonho do Henrique. (Cristovão Bastos).
Projeto B – A Viagem de Villa-Lobos
Em 2009, o Projeto B completou 10 anos de existência lançando o seu terceiro disco. O grupo se orgulha de sempre trabalhar com materiais cheios de ineditismos, tanto nas composições próprias quanto nas adaptações de repertório. O grupo é formado por Yvo Ursini )guitarra, arranjos e composição), Leonardo Muniz Corrêa (sax alto, clarinete, arranjos e composição), Vicente Falek ( piano, arranjos e composição, Amilcar Rodrigues (trompete, cornet e flugelhor), Henrique Alves (baixo) e Maurício Caetano (bateria).
Nesse disco, o Projeto B explora as experiências de Villa-Lobos a partir de sua primeira ida a Paris e seu contato com a música de Igor Stravinsky.Mesmo antes, ele já demonstrava influências da música que acontecia em Paris naquela época, como "Bruxa", da série "Prole do Bebê". Já em Paris, Villa-Lobos compõe o "Choro Nº2" e em sua volta ao Brasil, em 1925, termina o "Choro Nº5 - Alma Brasileira". As influências européias sempre voltam a fazer parte de suas obras, como nos doze estudos para violão escritos para Andrés Segovia, por exemplo.
Tom Jobim - Minha alma canta
Tom Jobim está à vontade no disco Minha alma canta (Biscoito Fino). Reedição da compilação selecionada em 2001 pelo falecido produtor Almir Chediak, o cd reúne participações do maestro e compositor carioca em songbooks de Noel Rosa, Vinicius de Moraes, Edu Lobo, Carlos Lyra, Dorival Caymmi, Ary Barroso e Chico Buarque lançados pela gravadora Lumiar.
Cumprindo à risca o legado jobiniano, o repertório é de primeiríssima: Na batucada da vida e Pra machucar meu coração (Ary Barroso-Luiz Peixoto); Três apitos e João Ninguém (Noel Rosa); Choro bandido e Valsa brasileira (Edu Lobo-Chico Buarque); O bem do mar e Milagre (Dorival Caymmi). Obviamente, a parceria do maestro com Vinicius de Moraes não poderia ficar de fora: Janelas abertas, Chega de saudade, Sem você, Por toda a minha vida e É preciso dizer adeus estão lá, honrando a tradição do samba e da bossa nova.
O álbum da Biscoito Fino reúne momentos históricos da indústria fonográfica brasileira, pois os caprichados songbooks de Almir Chediak buscavam – mesmo – oferecer ao público releituras vigorosas do cancioneiro nacional. A cozinha instrumental reunida por Chediak só tem feras: Vítor Santos (trombone), Paulo Braga (bateria), Tião Neto (baixo), Danilo Caymmi (flauta) e Jaques Morelenbaum (violoncelo). (Ângela Faria, Estado de Minas, 05/01/2010)
Roberto Fonseca - Akokan
Projetado em escala mundial ao substituir o pianista Rubén Gonzalez (1919 - 2003) em alguns shows do coletivo de Cuba Buena Vista Social Club, Roberto Fonseca logo se impôs como um virtuose do piano. Mais jazzístico do que percussivo, o toque de seu piano transita pelo afro-cuban-jazz com grandes doses de lirismo e espiritualidade, como se detecta em La Flor que No Cuidé e Como en las Películas, dois dos 13 temas do quinto álbum de Fonseca, Akokan, recém-lançado no Brasil pela gravadora Biscoito Fino. Não por acaso, o título do disco significa 'coração' na língua yorubá. Akokan solidifica o estilo do pianista, propagado com força em seu álbum anterior, Zamazu (2007), no qual Fonseca flertava com a música brasileira.
Como Zamazu, Akokan abre com cântico religioso ouvido na voz da cantora Mercedes Cortes Alfaro, Fragmento de Misa, saudação do artista à sua mãe. A louvação ao amor materno abre e encerra o álbum na faixa Cuando una Madre Llama a su Hijo, tema-vinheta solado pela voz do pianista. Aliás, embora essencialmente instrumental, Akokan agrega vozes como as do violonista Raul Midón - que entoa em inglês sua canção Everyone Deserves a Second Chance - e da cabo-verdiana Mayra Andrade, intérprete e parceira de Fonseca em Siete Potencias (Bu Kantu), tema que saúda os mortos e os santos protetores, evocando a espiritualidade ancestral que envolve com leveza o belo Akokan. (Mauro Ferreira, Blog Notas Musicais, 27/10/2009)
Francis Hime - O Tempo das Palavras ... Imagem
Maestro de grandes clássicos populares, Francis Hime comemora seus 70 anos com dois trabalhos, editados em um luxuoso box duplo pela Biscoito Fino. O primeiro CD, "O tempo das palavras..." junta repertório inédito ao lado de parceiros novos e habituais. Já em "...Imagem" quem brilha é o pianista, interpretando músicas que compôs para trilha sonora de filmes brasileiros. O primeiro disco traz parcerias de Hime com Joyce Moreno, Geraldo Carneiro, Olivia Hime, Edu Lobo e Paulinho Pinheiro . Além dos companheiros de velha data, Hime ainda estréia dobradinha com Moska em “Há controvérsias”, conversa entre caros amigos. As 12 faixas apresentam ao mundo repertório basicamente inédito, exceção feita a “O sim pelo não”, de Francis e Edu Lobo. Da dupla que forma com Joyce Moreno vem duas das melhores novidades da nova safra. O sedutor samba “Adrenalina” abre o disco com sabor de seus melhores sucessos. Mais na frente os dois voltam a se encontrar em Rádio cabeça, com climas nordestinos e letra que celebra uma programação bem íntima e particular de cada um. Com o poeta Geraldo Carneiro, seu parceiro mais constante, traz nada menos que seis novidades, metade do disco. Destaque especial para “Existe um céu”, bossa jazz com cheiro de clássico.
O segundo volume, “Imagem”, traz o luxo de um concerto do maestro revisitando o compositor. É o primeiro trabalho de piano solo estrelado por Francis, que aproveitou para fazer um balanço de suas composições para o cinema brasileiro. Pilotando um nobre Steinway passam pelas teclas de Hime cenas de filmes como “Dona Flor e seus dois maridos”, “A estrela sobe” e “A noiva da cidade”. Juntos, os dois discos fazem o retrato de um artista que tem transito livre na música, seja em sambas ou em sinfonias. Francis Hime comemora 70 anos em plena atividade relendo o passado e criando o presente. (Beto Feitosa, site Ziriguidum, 27/10/2009)
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