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Histórias e Idéias de Moacir Santos

Essa entrevista, em que pese seu valor histórico, estava recheada de erros ortográficos e frases descontínuas, sem nexo ou elo. Mas, foi feito um trabalho de polimento gramatical para trazer um pouco da história e do ideário dessa grande mestre da música instrumental brasileira (Entrevista recolhida no site mrsamba em 1996).

02/11/2010 - Wilson Garzon

Moacir Santos é considerado pelos críticos e pesquisadores musicais como um dos principais arranjadores e compositores brasileiros, aquele que renovou a linguagem da harmonia no país. Abaixo, segue um pouco do pensamento desse gênio musical.

Tempos de Recife

"Quando eu estava em Recife me compraram um sax-alto, e eu apareci num programa chamado "Vitrine" e depois fiz uns freelancers assim e tal. Quando toquei num lugar, me parece chamar, “Água Fria”, fiquei sabendo que a policia da Paraíba estava recrutando músicos. Fui para lá e fiquei mais ou menos um ano e seis meses na policia, pois acharam que eu era um bom músico. Depois eu dei baixa, porque em razão da orquestra do Severino Araújo ter saído da Rádio Tabajara para estabelecer-se no Rio de Janeiro,. fui convidado para tocar nessa Rádio. Em pouco tempo me tornei o líder da jazz band, e foi nessa fase da minha vida que me casei. Então, passado algum tempo, fui para o Rio de Janeiro."

Rio de Janeiro

"Quando Cheguei no Rio de Janeiro, comecei a trabalhar como músico da orquestra da Rádio Nacional; e depois, por intermédio do velho Paulo Tapajós, fui promovido a maestro e arranjador da rádio. Foi no programa chamado "Quando os Maestros se encontram", que aconteceu a minha estréia. Na Radio Nacional, tinha programação musical ao vivo, das oito da manhã até a meia noite; então, havia muito trabalho para músicos e arranjadores."

"Como eu, estavam trabalhando na Rádio, Radamés Gnatalli, Lyrio Panicalli, Guaraná, Lazoli, Alexandre Gnatalli, Eduardo Pathané, Zimbris, e muitos outros. Trabalhei lá por 19 anos. E eu ainda achava tempo para dar aulas; dei aulas para Nara Leão, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Maestro Peruzzi, Carlos Lyra, Nelson Gonçalves, Quartera, e muitos outros. Por intermédio do Baden Powell conheci Vinícius de Moraes, com quem fiz muitas composições, como “Se você disser que sim” e “Menino Travesso”, gravada pela Elizete. Com o Mario Telles, compus “Nanã” e logo gravei meu primeiro disco “Coisas”, pelo selo Forma de Roberto Quartin."

"Estive um tempo em São Paulo como maestro da Tv Record; voltei ao Rio, onde escrevi as seguintes trilhas para o cinema: “Ganga Zumba” de Caca Diegues, “O Beijo” de Flávio Tambelini, “Os Fuzis” de Ruy Guerra, “O Santo Módico”, “Seara Vermelha”, do livro de Jorge Amado. Acho que fiz um bom trabalho nessa área, pois foi através de uma destas trilhas, “Amor no Pacífico”, que vim parar aqui nos Estados Unidos, pois ganhei como prêmio do Itamarati as passagens para vir assistir a estréia do filme. Daí, resolvi ficar por aqui morando."

Estados Unidos

"O americano tem muita dificuldade para assimilar o molejo brasileiro. Eu acho que eles aprendem desde cedo a coisa toda muito matematicamente, deixando pouco espaço para o espírito. Para o americano é mais fácil entender como se vai à Lua, do que entender o samba, por exemplo. No meu começo por aqui eu vivia lá em Hollywood, arranjando concertos pelo jornal ou pela União dos Músicos, Vim parar em Los Angeles por sugestão, conselho do Sergio Mendes."

"Eu penso que a indústria americana não tenta internacionalizar... por exemplo, ela prefere um músico americano que tomou aula, que aprendeu coisas com o brasileiro, músicos... por que ele tem, ainda essa coisa, esse pensamento industrial pensando que vai vender mais ainda, que nem o cinema americano, é o cinema americano que ainda vende. O americano pensa como um americano, todo o negócio; ele vê... o dinheiro mais vivo; para o brasileiro ou outro qualquer, é difícil, só quando ele é chamado ou que já entra arrebentando, aí estoura mesmo..."

Tipos de músicos

"O músico está classificado em três categorias: existe o compositor regional, o compositor nacional e tem o compositor essencial, que possui muitas fontes para atingir... e é muito bom que você comece com alguma coisa. É aconselhável, e também muito importante o músico começar como sendo folclórico, porque é aquilo que pertence a ele, o seu lado nacionalista. Por exemplo, Aram Khatchaturian compositor russo-armênio, é um folclorista universal, por que ele toca o coração de todos.Todos os compositores russos, a maioria que estão nos livros, eles estão... atingiram a universalidade. Por exemplo Tchaikovski, ele ... Luiz Gonzaga é um folclorista nacional, incendeia, pronto, ele vai cantando assim e o povo gosta."

Tom Jobim

"O Jobim, eu acho que é universalista, porque aonde sua música é tocada, ela é aceita, seja nas Filipinas ou na Rússia... mas tem uma coisa, ele faz música popular. O essencial da obra do Tom Jobim é popular. Na minha opinião, muitos compositores não fizeram música popular como o Tom Jobim é porque não souberam fazer, desenvolver a sua alma por esse campo ... e transformam suas músicas em “popularistas” ou eruditas. Agora, os eruditos, quanto mais avançados no folclórico, mais eles acendem. Porque eles, os da erudição, transformam músicas em maravilhas utilizando técnicas e sofisticação também."

Definição de música

"A música é como a rosa: tudo tem que ser perfeito. Você encontra tudo como num desenho, é uma beleza, é uma coisa; quem souber venerar uma rosa, é uma beleza, que nem a música popular. A música erudita é comparada com um jardim, no sentido que tem o festim, tem a garça, tem tudo, mas você vê de longe assim, e quando você vai se aproximando você vai encher de coisas, mas é preciso, coisas que o compositor tem que gravar... quando eu estava estudando com o Guerra Peixe, às vezes eu fazia uma música assim, e ele falava agora isso aqui é encher, encher com qualquer coisa... tem umas coisas assim,que você tem o essencial, depois você... mas tem que fazer isso, por que é uma forma, e se não se fizer daquela maneira não pode ser considerara uma sonata."

Conselhos aos jovens músicos

"Primeiro, trabalhar fervorosamente em busca de seu objetivo. Segundo, ter humildade no coração, porque só assim as fadas que dirigem o reino musical se aproximarão de você. E por fim, procurem ficar afinados com a natureza, observar as criaturas da natureza. Por exemplo, as flores e os animais: procure escutar os seus sons quando são emitidos, muitos não têm sons, mas os cinco sentidos podem captar, por exemplo a flor, com sua beleza e seu perfume (primeiro a visão e segundo o olfato) e assim por diante. Prestem constante atenção a todos os sons (principalmente dos homens e dos animais), que ouve para poder transformá-los em música."

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