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Bebop 1940

O movimento fundador do jazz moderno

Roy Eldridge

Em 1940 o mundo do jazz ficou dividido em dois campos superpostos: swing ( big bands e alguns combos) e revival do jazz de New Orleans. Alguns jovens músicos que trabalhavam nas orquestras de swing queriam não somente aumentar suas oportunidades no mercado, mas procuravam na música um espaço para desenvolver seus próprios estilos. Sentindo que o swing tinha se encaminhado para uma abundância de clichês e de solos previsíveis, jovens artistas se reuniam em jam sessions (as mais conhecidas foram no “Minton’s Playhouse” e no “Monroe’s Uptown House” em New York) e experimentaram acordes mais avançados e improvisos mais arriscados. Em torno de 1945 o mundo do jazz já estava permanentemente modificado com a rápida ascensão do bebop.

Ao retornarem da Segunda Grande Guerra, veteranos e fãs de jazz, acostumados com Glenn Miller e Benny Goodman, ouvir bop parecia a eles que estavam desinformados em pleno 1945. A greve contra as gravadoras entre 1942-44, fez com que a maioria dos músicos não gravassem por dois anos, portanto a maioria dos ouvintes tinha poucas oportunidades de acompanhar o desenvolvimento da música, e quando ela acontecia, acontecia de uma forma radical e revolucionária, com seus tempos rápidos, ritmos excêntricos, e harmonias muito avançadas. Na realidade, era uma etapa lógica da evolução do jazz: do swing se chegava ao bebop.

Os músicos boppers tinham como precursores o trompetista Roy Eldridge, os tenoristas Coleman Hawkins e Lester Young, a seção rítmica de Count Basie e o pianista Art Tatum, mas ao invés de imitarem seus ídolos, eles partem para aproveitar a chance e acabam mudando o jazz, que deixou de ser música dançante e passou a ser uma forma de arte. Os resultados não levaram o jazz para um lado muito lucrativo, mas criaram um divisor de águas contra a música popular, fazendo do bebop o movimento fundador do jazz moderno.

Bop se diferencia do swing de muitas maneiras, mas a que mais se destaca está no uso do piano. Enquanto os pianistas clássicos e de swing conservavam a batida com acentuação na mão esquerda enquanto que a mão direita cuidava das variações melódicas, os pianistas bop (como o brilhante Bud Powell) tinham mais campo de ação para a mão esquerda, eventualmente livres acordes, enquanto a direita tocava solos velozes, ao estilo dos trompetes; esta técnica tem sido adotada por todos os estilos de jazz moderno.

A função de marcação do tempo foi assumida pelo baixista, que, naquela época, afora Jimmy Blanton e Oscar Pettiford, todos os outros baixistas tocavam estritamente o necessário atrás dos solistas. Os bateristas não eram mais compelidos à batida do surdo (bass drum) e o acompanhamento se tornou cada vez mais imprevisível, tocando coloridas modulações, porque não mais funcionariam como um metrônomo.

Quanto aos trompetistas, seus solos se tornaram menos amarrados à melodia e mais à estrutura dos acordes. A improvisação baseada em acordes impulsionava os solistas a tentarem construir seus próprios temas, utilizando o arcabouço da canção. Muitos dos "originais" gerados pelo bop eram novos padrões de acordes das canções do swing, se tornando outras melodias; p. ex., "Groovin’ High" na realidade é "Whispering" disfarçado; "Donna Lee" foi uma complexa "Indiana" e "Anthropology" foi uma das muitas canções derivadas dos acordes de "I Got Rhythm" .

  1. O movimento fundador do jazz moderno
  2. Três gigantes
  3. O bebop sobreviveu à decada de 40

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