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Chicago 1920
Louis Amstrong a seu início Só Se Nova Orleans engendrou o jazz, Chicago foi sua incubadora. Para lá migraram, provenientes de sua nativa Nova Orleans, os grandes músicos de jazz, que encontraria na “Windy City” o terreno cultural ideal para o seu desenvolvimento. Chicago reuniu ao ser redor todo o saber jazzístico de então e foi durante anos a cidade do jazz por excelência. Só muito tempo depois, quando o jazz já havia alcançado sua maturidade artística e estava às portas da estagnação nos anos 40, passou o comando para Nova York. Com a chegada do swing, Chicago sucumbiu a uma tendência generalizada que favoreceria as big bands itinerantes em detrimento dos conjuntos locais que havia prevalecido nos anos trinta. E embora seja verdade que as grandes orquestras como a de Count Basie, Benny Goodman, Roy Eldridge, Bob Crosby conseguiram os primeiros sucessos em Chicago e que os dixielanders mantiveram ali acesa a chama do jazz tradicional, também é certo que Chicago tinha esgotado, desde 1930, seu papel histórico na evolução do jazz. Chicago não se limitou a hospedar os jazzmen de Nova Orleans, mas também criou os seus: Bix Beiderbecke, com seus “Wolverines”, inspirados na “Original Dixieland Jazz Band”, os instrumentistas da “Austin High School Gang”, nascidos artisticamente do “New Orleans Rhythm Kings” e que mais tarde formariam o estilo Chicago, a única interpretação válida, por parte dos músicos brancos do norte, do jazz de Nova Orleans. O impacto do primeiro jazz de Chicago não foi muito rápido nem violento, como se poderia pensar. O ragtime já se havia infiltrado havia algum tempo através dos espetáculos de vaudeville e dos pianos dos entertainers (Tony Jackson e Jelly Roll Morton já tinham atuado ali em 1910). E, antes ainda, o blues, arranjado e comercializado, havia sido introduzido por conjuntos itinerantes chegados do sul. Em 1913 surgiu em Chicago a primeira verdadeira orquestra de ragtime jazz a “Original Creole Band” de New Orleans, um sexteto organizado pelo contrabaixista Bill Johnson, dirigido pelo cornetista Freddie Keppard. Houve muitos grupos pré-jazzísticos que se estabeleceram em Chicago por volta de 1915 sendo que em 1916/17 foram numerosos os grupos brancos que passaram por aquela cidade, dentre cujos elementos foram La Rocca, Eddie Edwards, Alcide Nunez e Henry Ragas que, em maio de 1916, com o baterista Tony Sbarbaro formaram a famosa “Original Dixieland Jazz Band”, que obteve um enorme sucesso. Nos anos seguintes não cessou a afluência de músicos de New OrIeans a Chicago. Em 1921/22, atuaram em Chicago conjuntos de grande importância histórico-artística: Joe Oliver, June Cobb, Roy Palmer, Clarence Jones e Bix Beiderbecke. E foi em Chicago que ocorreram as primeiras gravações inovadoras do jazz, que foram os famosos discos do “Hot Five” e do “Hot Seven” de Louis Armstrong durante o período de 1927-29. Johnny Dodds tocava naquela época e Bix Beiderbecke estava na orquestra de Charlie Stainght. Também Joe Oliver, Jimmy Noone, Earl Hines, Cab Calloway, Erskine Tate e em 1930, Duke Ellington; Fletcher Henderson, em 1936; Count Basie, em 1937; de 1935 a 37, Benny Goodman com sua primeira big band, depois substituído pela de Jimmy Dorsey, Bob Crosby e Red Norvo. Organizaram-se naqueles tempos importantes acontecimentos de jazz no “Chicago Rhythm Club”, em colaboração com a revista especializada 'Down Beat', dos quais participaram grandes nomes. Este fervor de atividades e iniciativas durou até o começo da guerra. A partir de 1943 a qualidade do jazz oferecido pelas inúmeras e famosas casas sofreu uma deterioração progressiva. Mas já havia tempo que Chicago tinha encerrado seu ciclo histórico. O jazz estava em plena crise de transformação e se dizia que em Nova York havia músicos de vanguarda buscando novas fórmulas. E estas fórmulas foram encontradas pouco depois, as quais foram aplicadas no laboratório do Minton's. |
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