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Cool Jazz 1950

Uma natural evolução do bebop

Miles Davis

Cool Jazz era uma natural evolução do bebop, mas se diferenciava dos outros estilos porque era uma reação conservadora em relação à uma música radical da qual descendia e no fundo, não significava um movimento mais para frente. No final da década de quarenta, jovens músicos de jazz ficaram diante a um dilema. Como alguém poderia tocar saxofone no nível de um Charlie Parker ou trompete na complexidade de um Dizzy Gillespie? Bird e Diz tinham criado e estabelecido padrões ao estilo bebop, num nível onde eles eram insuperáveis em seus domínios, e a maioria dos seus seguidores esperavam ser, no máximo, os melhores imitadores.

O bebop em sua forma mais clássica apresentava rápidos solos, plenos de virtuosismo e harmonias bem recentes e cheias de novidade. Embora excitante em ouvir, ele sempre detestado por aquelas platéias acostumadas ao swing, optando por uma música mais relaxada e dançante. Era necessário crescer e desenvolver uma maior variedade de opções musicais. Na história do jazz sempre houve o contraste do hot com o cool: nos anos vinte, o trompetista Bix Beiderbecke com seu estilo lírico contrastava com os vôos explosivos de Louis Armstrong; nos anos trinta, o estilo gentil do piano stride de Teddy Wilson o tornou influente perante aos pianistas que não conseguiam reproduzir os poderosos solos de Fats Waller, e o “John Kirby's Sextet” que utilizava os dois tons, utilizando arranjos inventivos. Lester Young, cujo estilo relaxado de tocar sax-tenor, eventualmente era ultrapassado pela maior intensidade de Coleman Hawkins na preferência dos jovens músicos. Sempre parecia que a expressão "cool" estava vinculando o estilo de execução com a personalidade calma do instrumentista.

Quando Charlie Parker formou sua banda regular em 1947, ele escolheu Miles Davis para seu trompetista. Davis, com vinte anos na época, percebeu que não poderia duplicar em seu instrumento o que o seu ídolo Dizzy Gillespie tocava, então ele desenvolveu seu próprio estilo de execução. Miles fazia cada nota valer, parava no registro médio e tocava num estilo calmo, que contrastava com as explosivas improvisações de Parker. Essa química funcionou muito bem. No ano seguinte, Davis ficou amigo do compositor-arranjador Gil Evans que escrevia regularmente para a “Claude Thornhill Orchestra”. Evans, pianista da banda de Thornhill, tinha como característica, utilizar formações pouco usuais, como um par de corne francês ou a tuba como instrumento melódico. A combinação de swing, baladas e bop fez desta orquestra um conjunto memorável que serviu de base e inspiração para o movimento do cool jazz.

Quando Miles Davis teve a oportunidade de comandar suas primeiras sessões de gravação fora do universo de Parker, ele liderou um noneto composto por solistas de influência cool (Lee Konitz e Gerry Mulligan) e deu uma maior ênfase nos arranjos(feitos por Evans, Mulligan, John Lewis, Johnny Carisi e o próprio Davis). A banda ( que depois teve o nome de "The Birth Of The Cool Nonet") somente tocou para o público durante a folga de duas semanas de Count Basie no Royal Roost em 1948 e depois gravou uma dúzia de músicas para a Capitol no período de 1949-50, mas o seu impacto só foi sentido depois de uma década.

Outro importante e influente grupo de jazz nos primeiros anos do cool foi o do pianista Lennie Tristano. Era uma espécie de guru para os seus músicos (também para seus estudantes), Tristano acreditava em longas linhas melódicas, na ausência do vibrato, em avançados chorus de improvisações e mantinha o baixista e o baterista contidos numa marcação rítmica bem calma. Com o sax-altista Lee Konitz, tenorista Warne Marsh e o guitarrista Billy Bauer, Tristano realizou algumas das mais importantes gravações de 1949. Os bem colocados uníssonos feitos pelos saxofonistas, seus timbres pouco usuais e alguns acentos pouco previsíveis fez com que sua música soasse como única. Acrescente-se, o fato de Tristano (em "Intuition" e “Digression) ter gravado as duas primeiras improvisações num tom de free jazz”.

  1. Uma natural evolução do bebop
  2. O belo timbre de Getz
  3. No auge da sua popularidade

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