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Free JAzz 1960

O caminho da ruptura

Ornette Coleman

Mas o free jazz não aparece como uma drástica rejeição da tradição jazzística. mas sim como sua radicalização, por um caminho que já tinha sido iniciado pelos boppers como Charlie Parker e Thelonious Monk: o caminho da ruptura cada vez mais explícita com certas regras escritas da forma jazzística que limitavam de maneira cada vez mais insuportável, a criatividade dos novos músicos.

"Não existe uma maneira correta de tocar jazz' relacionando uma nota com um acorde tradicional, limita-se a escolha da nota seguinte". Esta afirmação de Coleman evidencia a atitude dos primeiros jazzmen. O mercado discográfico descobre a presença do free jazz com uma gravação de Taylor no final de 1955, Jazz Advance. Seguirão. a partir de 58, os primeiros LPs de Coleman, até chegar à etapa colemaniana do Free Jazz de 60: uma improvisação coletiva de dois quartetos contrapostos que se estimulam em unia quase total improvisação durante 36 minutos e 23 segundos. O disco causou polêmicas e discussões no ambiente jazzístico, desenvolvendo a difusão da nova musica. Músicos como Coltrane. Sonny Rollins e Gil Evans começaram a colaborar com Coleman, Taylor, Albert Ayler e o quarteto de Bill Dixon e Archie Shepp, o 'New York Contemporary Five', com Shepp, Cherry e John Tchicai.

É importante assinalar que alguns pontos importantes foram abertos a partir de 62 para o free jazz. Coleman tocava no 'Town Hall' de Nova York em dezembro de 62: um ano depois Taylor e Ayler estavam no 'Philarmonic HalI'. Em outubro de 64 Dixon organizou a 'October Revolution in Jazz': seis noites de concertos no Cellar Café de Nova York. Pouco depois criou a 'Jazz Composer's' Guild', uma associação para a defesa dos interesses econômicos dos músicos. Durante sua breve existência reuniu a Sun Ra, Shepp, Tchicai, Taylor, Roswell Rudd, Jon Winter, Mike Mantler, Burton Green, Paul e Carla Bley.

O próprio Dixon organizou quatro concertos no 'Judson Hall' em dezembro de 64 e outros concertos semanais no 'Contemporary Centre'. Dissolvida por contrastes internos, a 'Guild' teve uma herdeira direta na 'Jazz Composer's Orchestra Association', dirigida por Mantler e Carla Bley. Em 65 saíram os primeiros discos da ESP, dedicada à documentação de tudo que existia no já extenso campo do free jazz: até 68 cerca de quarenta LP's foram gravados. Naquele mesmo ano, Coltrane gravou Ascension, profissão de fé no free jazz.

Entre 1964/5 foram gravados inúmeros temas de free jazz, através da ESP, lmpulse, Blue Note, Fontana e Vortex. Enquanto isto, graças ao escritor Leroy Jones, a nova música ficou ligada também ao mundo intelectual norte-americano. Em julho de 69 muitos músicos do free jazz, entre eles Sunny Murray, Shepp, Grachan Moncur, Clifford Thorton, Alan Silva, Dewey Redman, participaram no Festival Panafricano organizado em Argel.

Nos meses seguintes o selo francês Byg gravou uma espécie de canto do cisne do free jazz, ao mesmo tempo que registra a ascensão daqueles que seriam os novos improvisadores dos anos 70 (Art Ensemble of Chicago, Anthony Braxton, Leroy Jenkins, Leo Smith, Steve McCall, etc.) e expõe as novas tendências de músicos como Cherry e Steve Lacy. O papel de vanguarda do free jazz pode ser então considerado terminado.

  1. O caminho da ruptura
  2. Um sistema complexo

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