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Pós Fusion 1980/90

O jazz ganhou respeitabilidade

Cassandra Wilson

As grandes gravadoras saíram de suas habituais rotas para contratar e gravar álbuns desses promissores talentos, alguns ainda não prontos para o mercado. A maioria desses bem-vestidos músicos desde cedo se tornaram em influentes vozes, mas a prematura proeminência acarretou uma backlash por entusiastas por músicas experimentais, principalmente depois que Marsalis fez afirmações provocativas acerca da vanguarda e do música dos anos 70. São considerados como Young Lions, além de Marsalis, os trompetistas Terence Blanchard, Wallace Roney, Roy Hargrove, Philip Harper, Marlon Jordan e mais recentemente, Nicholas Payton; os pianistas Marcus Roberts e Benny Green, os altistas Donald Harrison e Christopher Hollyday e os tenoristas Branford Marsalis e Joshua Redman.

Os Young Lions continuaram a crescer ano-a-ano e agora cobriam uma área musical maior do que no começo. Também as presenças desses jovens leões melhoraram a imagem do jazz. Os músicos de jazz não mais pertenciam à uma classe marginal, que precisava se drogar para conseguir tocar a sua própria música . Desde que os Young Lions, todos de formação clássica, bem vestidos e com inteligências acima do convencional, se impuseram no mercado, o jazz ganhou respeitabilidade.

Acrescenta-se à obra dos Young Lions, o retorno dos velhos sobreviventes dos anos 70, que descobriram espaço e oportunidades para gravarem nas décadas de 80 e 90. Gigantes voltaram em cena, como no dueto de Chick Corea e Herbie Hancock (ambos alternando piano acústico e sintetizadores), como o saxofinista tenor Joe Henderson (que se tornou popular, sem alterar a sua música, calcado apenas numa bem sucedida campanha de marketing da Verve ), como o pianista McCoy Tyner e o baterista Elvin Jones ou o tenorista imortal Sonny Rollins. Finalmente o jazz estava mostrando respeito por sua própria tradição.

O conceito de Post Bop pode ser aplicado a qualquer estilo que seja mais avançado do que bebop, mas não tão livre quanto avant-garde. Estão dentro dessa área os guitarristas, John Scofield (cujo som distorcido e distinto é carregado de sensibilidade influenciada pelo bop), e o versátil Pat Metheny; os tenoristas Michael Brecker e Joe Lovano; e o altista Kenny Garrett. De fato, o campo de ação do post bop abrigou um número maior de instrumentistas e de novas vozes. O fusion começou a declinar a partir de meados de 70, mas continua um estilo excitante, quando executado com criatividade. Chick Corea's Elektric Band, o guitarrista Kazumi Watanabe e Scott Henderson's Tribal Tech são bons exemplos de fusion nos anos 90.

Enquanto o fusion é uma mistura de improvisação de jazz com rítmos de rock, o jazz recebeu influências de outros estilos musicais. O popular conjunto Spyro Gyra e os saxofonistas Grover Washington Jr. e David Sanborn colocaram em suas improvisações jazzísticas, altas doses de R&B. Apesar desses artistas produzirem discos altamente previsíveis e comerciais, eles eram capazes de produzirem uma bela música quando tocavam ao vivo, nos concertos.

Durante as décadas de 80 e 90, vários saxofonistas tentaram fazer o melhor, imitando os sons de Washington e Sanborn e,apesar de seus discos em geral venderem bem, do ponto de vista do jazz, seus esforços eram por demais dúbios, cheio de solos R&B, de tal sorte que esses discos poderiam ser pop ao invés de jazz. Esses músicos são rotulados dentro do estilo "Crossover" (quando executam performances jazzísticas) ou "Instrumental Pop", esses artistas eram best-sellers, mas acrescentavam bem pouco ao jazz. Kenny G. e congêneres, cujos discos entraram nas paradas pop, formaram uma legião de fans e apesar de ser odiado pelos jazzófilos, conseguiu impor seu estilo de execução, embora ele seja em parte, fruto da influência de Grover Washington Jr.

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